25/08/2026

Plano de Bocalom aposta na localização do Acre para ampliar exportações

Por Redação ContilNet
Como prefeito, Bocalom participou da inauguração do Porto de Chancay, defendido como oportunidade estratégica de ampliação de negócios. Foto: cedida

Por muito tempo, a localização do Acre, distante dos grandes centros consumidores e dos principais portos brasileiros, foi associada ao isolamento. No Plano de Governo de Tião Bocalom (Federação PSDB/Cidadania), a proposta é mudar essa perspectiva e transformar a posição geográfica do estado em uma vantagem para ampliar negócios, atrair investimentos e fortalecer a integração comercial com países vizinhos.

A estratégia apresentada pelo candidato prevê o fortalecimento das relações com o Peru e a Bolívia e a criação de condições para que o Acre se consolide como um hub logístico transfronteiriço, conectando produtores e empresas brasileiras aos mercados andinos e, por meio do Oceano Pacífico, a destinos na Ásia.

O plano estabelece como uma das prioridades o fortalecimento de acordos institucionais com departamentos peruanos para impulsionar a integração logística e o fluxo comercial. A proposta também considera o acesso aos portos peruanos de Matarani, Ilo e Chancay, ampliando as possibilidades de entrada e saída de mercadorias por uma rota alternativa.

A localização do Acre favorece essa estratégia. O estado possui fronteiras internacionais com Peru e Bolívia e está inserido em uma área de conexão entre a Amazônia brasileira e os países andinos. Um estudo recente do Fórum Empresarial do Acre, aponta que Peru e Bolívia responderam por 99,12% do fluxo comercial do Acre com os países andinos entre 2019 e 2025, com o Peru concentrando 79,98% e a Bolívia, 19,15%.

A proximidade com o Pacífico ganha ainda mais relevância com a entrada em operação do Porto de Chancay, no Peru. O terminal cria uma nova conexão marítima entre a América do Sul e a Ásia e é apontado como uma oportunidade para ampliar a participação de estados brasileiros no comércio com o mercado asiático.

Na prática, a ideia defendida por Bocalom é fazer com que aquilo que hoje pode representar uma dificuldade logística seja utilizado como diferencial competitivo. Em vez de enxergar o Acre apenas como um estado distante dos portos brasileiros, o plano propõe posicioná-lo como ponto de passagem entre o mercado nacional, os países andinos e o Pacífico.

“Durante muito tempo, nós olhamos para a nossa localização como uma dificuldade, como se estivéssemos longe de tudo. Mas nós estamos perto do Peru, da Bolívia e temos uma ligação com o Pacífico. Precisamos aproveitar isso. O Acre pode deixar de ser visto como um lugar isolado e passar a ser uma porta de entrada e saída de produtos”, afirma Bocalom.

O potencial dessa localização também já despertou o interesse de empresas e investidores estrangeiros. Nos últimos anos, o Acre passou a apresentar sua posição estratégica como um dos argumentos para atrair negócios ligados ao comércio exterior e à indústria.

Empresários chineses, por exemplo, já conheceram a estrutura da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Acre e participaram de tratativas para possíveis investimentos no estado. Em 2026, uma comitiva russa também analisou a estrutura da ZPE, a Rota Quadrante Rondon e o acesso aos portos do Pacífico, além do potencial de mercado do Acre e da região.

Para Bocalom, a presença desses investidores demonstra que a posição do Acre pode ser apresentada ao mercado internacional não como uma barreira, mas como uma oportunidade.

“Nós precisamos mostrar o Acre para o mundo. Se empresários da China, da Rússia e de outros lugares estão olhando para cá, é porque existe uma oportunidade. O nosso papel é criar as condições para que eles possam investir, produzir aqui e usar essa localização para chegar a outros mercados”, frisa o candidato.

Conteúdo Original / Fonte: Ascom

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