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Cotidiano

Polícia prende casal com armas e carros de luxo por golpe milionário

Por Fhagner Soares, ContilNet 17/06/2026 às 05:22
Polícia prende casal que desviou R$ 1 milhão para abrir empresa rival

Investigação durou um ano e evitou que suspeitos embarcassem para os Estados Unidos./ Foto: Reprodução

Uma investigação de alta complexidade conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) culminou no desmantelamento de um esquema de fraude corporativa e lavagem de capitais que movimentou cerca de R$ 1 milhão. A ofensiva, batizada de Operação Game Over, resultou na prisão preventiva do ex-diretor financeiro Lucas Chereze e de sua mulher, Jaqueline Almeida. O casal é acusado de desviar recursos da empresa Capital de Prêmios para erguer uma firma concorrente no mesmo segmento de atuação.

O monitoramento das transações bancárias e fiscais dos suspeitos vinha sendo realizado há pelo menos um ano pelos investigadores da 19ª Delegacia de Polícia (P Norte, em Ceilândia). De acordo com o inquérito policial, o montante subtraído das contas da companhia original foi utilizado integralmente como aporte financeiro para fundar e estruturar a empresa Brasília Solidária, que disputava diretamente o mercado local de capitalização.

A PCDF detalha que Lucas Chereze utilizava as prerrogativas de seu cargo de chefia financeira na Capital de Prêmios para fraudar o fluxo de caixa. Com acesso irrestrito às credenciais bancárias da instituição, o ex-diretor abriu uma rede de contas correntes sob sua própria titularidade (Pessoa Física).

A partir desse mecanismo, Chereze passou a interceptar e redirecionar os depósitos efetuados por distribuidores e parceiros comerciais que deveriam ingressar no caixa da empresa. O esquema era complementado por transferências eletrônicas clandestinas e saques sistemáticos em espécie, executados sem qualquer tipo de auditoria interna ou autorização da diretoria executiva.

A execução das prisões preventivas ocorreu no último sábado (13). Segundo o delegado-chefe da 19ª DP, Fernando Fernandes, o pedido de custódia cautelar foi protocolado em regime de urgência após o setor de inteligência constatar que o casal estava coagindo testemunhas chaves do processo e organizando uma fuga internacional iminente para escapar da jurisdição brasileira.

“Eles estavam com passagens compradas para os Estados Unidos para a segunda-feira (15). A prisão no sábado foi crucial para evitar que saíssem do país”, revelou o delegado Fernandes.

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os policiais civis retiveram um patrimônio robusto de origem ilícita. Foram apreendidos passaportes, cofres com valores não especificados, um veículo de luxo importado e outros automóveis cadastrados em nome da empresa fantasma. No imóvel do casal, os agentes localizaram ainda três armas de fogo: duas pistolas de grosso calibre e uma espingarda.

O padrão de vida financiado pelas fraudes era amplamente divulgado pelos próprios investigados nas redes sociais. Lucas e Jaqueline mantinham perfis ativos em plataformas digitais, como o TikTok, onde publicavam vídeos de coreografias, ostentavam viagens de turismo de alto padrão e exibiam a frota de carros esportivos.

A defesa institucional da Brasília Solidária emitiu uma nota oficial afirmando que a empresa de capitalização está à inteira disposição das autoridades do Distrito Federal para cooperar com as investigações. O corpo jurídico da marca informou que acompanha os desdobramentos processuais para salvaguardar os interesses econômicos de seus atuais parceiros de negócios e dos consumidores participantes de seus sorteios.

Os advogados particulares de Lucas Chereze e Jaqueline Almeida não foram localizados para comentar o teor das acusações de desvio e ocultação de bens. O espaço permanece aberto para as manifestações formais da defesa. Caso as denúncias sejam integralmente acolhidas pelo Tribunal de Justiça do DF, as penas dos réus pelos crimes de furto qualificado por abuso de confiança, estelionato e lavagem de dinheiro podem ultrapassar 20 anos de reclusão em regime fechado.

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