A Secretaria Municipal de Saúde de Alagoinha, no agreste de Pernambuco, instaurou um procedimento administrativo interno para apurar a origem de um receituário médico falso que voltou a circular de forma viral nas redes sociais nesta terça-feira (19). O documento oficializado sob suspeita traz a prescrição de um termo de cunho obsceno — “3h de bucet*” — como se fosse uma recomendação terapêutica a um paciente.
O caso ganhou repercussão pública inicial no dia 6 de maio, quando a imagem do papel timbrado, supostamente emitido em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do município pernambucano, passou a ser compartilhada em plataformas digitais. O documento apresenta o carimbo descritivo de uma profissional de saúde da rede municipal, mas carece de validação formal.

Documento atribuído a posto de saúde continha frase de baixo calão; prefeitura suspeita de montagem ou roubo de carimbo/ Foto: Instagram
Em nota oficial distribuída à imprensa, a Prefeitura de Alagoinha informou que a servidora cujo nome consta no carimbo não participou da elaboração do texto, tampouco emitiu ou consentiu com a divulgação do conteúdo. A apuração institucional trabalha com as hipóteses criminais de falsidade ideológica, falsificação de documento público e uso indevido de identificação profissional, além de avaliar se a imagem sofreu manipulação digital ou montagem antes de ser inserida na internet.
A pasta de Saúde do município enfatizou que o papel em circulação não possui valor médico ou administrativo, uma vez que não foi assinado pela técnica indicada. A falta de assinatura manuscrita converteu-se no principal elemento técnico que corrobora a tese de fraude ou de apropriação indébita do instrumento de identificação de trabalho da servidora.
“Busca-se verificar se consiste em eventual montagem do documento ou de uso indevido do carimbo, destacando-se que, em nenhum momento, houve a aposição de sua assinatura no documento”, manifestou-se a secretaria municipal em trecho do comunicado.
A administração pública ressaltou ainda que o texto do receituário adota “linguagem inadequada e dissociada de prescrição médica, cujo conteúdo não reflete as diretrizes, normas e políticas adotadas por este município”, repudiando a vinculação do serviço público local ao episódio de zombaria.

Nota da Secretaria de Saúde de Alagoinha destaca que profissional citada não assinou o papel nem autorizou o uso do nome/ Foto: Instagram
Procurado para se manifestar sobre o andamento e o desfecho do inquérito administrativo, o órgão de gestão em Saúde de Alagoinha foi instado pela coluna Na Mira a apresentar atualizações, mas o espaço para manifestações oficiais segue aberto.
O Conselho Regional de Enfermagem de Pernambuco (Coren-PE) informou, por meio de nota enviada ao portal Metrópoles, que não foi notificado formalmente por meio de denúncia ou comunicação de ofício pelas autoridades municipais até o presente momento.
A autarquia profissional declarou que, diante do cenário atual, não é possível confirmar a procedência da imagem que se espalhou pelas redes, tampouco individualizar elementos materiais que comprovem que o preenchimento do bloco de receitas tenha sido efetuado por um profissional de enfermagem ou por uma técnica da categoria devidamente registrada.
