Um psicólogo de 28 anos foi preso em flagrante pela Polícia Militar na última quinta-feira (21), no município de Caroebe, região Sul de Roraima. O profissional, que atuava como servidor público, é suspeito de utilizar o cargo no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) para desviar R$ 3 mil da conta bancária de uma aposentada de 68 anos por meio de uma transferência via Pix.
O crime financeiro ocorreu no dia 15 de maio, quando a idosa compareceu à unidade do Cras para solicitar suporte técnico no recadastramento de um benefício social do governo federal. Durante o procedimento padrão de checagem de documentos, o psicólogo obteve acesso físico ao aparelho celular da vítima, instante em que teria realizado a transação irregular para a conta corrente de seu próprio irmão.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, o suspeito estendeu o contato com a idosa após o atendimento institucional, passando a enviar mensagens via WhatsApp. Sob o pretexto de prestar assistência residencial complementar para garantir a liberação do benefício, o servidor público chegou a efetuar visitas à casa da aposentada.
Desconfiança e tentativa de novo desvio
A fraude eletrônica começou a ser desmantelada na quinta-feira, quando o psicólogo retornou à residência da idosa e solicitou novamente o dispositivo telefônico. O homem tentou estruturar uma nova transferência bancária clandestina, mas o sistema de segurança do aplicativo ou a ausência de saldo impediram a conclusão da operação.
A insistência e a postura do profissional despertaram a desconfiança da aposentada. Logo após a saída do suspeito, a idosa consultou o extrato consolidado de sua conta bancária e identificou o desfalque de R$ 3 mil emitido seis dias antes, com o comprovante nominal direcionado ao familiar do funcionário público.
Histórico de abuso contra vulneráveis
A Polícia Militar informou que os padrões da abordagem indicam que o psicólogo valia-se rotineiramente da função exercida no Cras para construir relações de confiança com cidadãos da terceira idade e famílias em situação de extrema vulnerabilidade social, facilitando o confisco de senhas e dados sigilosos. Os agentes confirmaram que o jovem já possui outro registro policial em sua ficha de antecedentes criminais envolvendo um esquema fraudulento de natureza similar.
Após a formalização da denúncia pela vítima, patrulhas da PM iniciaram diligências e localizaram o suspeito em seu endereço residencial. O psicólogo foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil da região, onde o caso foi tipificado e registrado como crime de estelionato cometido contra idoso ou pessoa vulnerável, infração majorada pelo Código Penal. O servidor permanecerá à disposição da Justiça de Roraima para a audiência de custódia.


