PSOL e MPF acionam Justiça contra resolução do CFM sobre aborto legal

Norma publicada na semana passada veda interrupção de gravidez em vítimas de estupro após 22 semanas de gestação

Por Marina, ContilNet 09/04/2024 às 19:23
Documento contra a proposta será enviado ao presidente da Câmara em nomes da advocacia brasileira/Foto: Pixabay

O PSOL e o Ministério Público Federal (MPF) moveram ações contra resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que proíbe o aborto legal a vítimas de estupro após 22 semanas de gestação. Em dois pedidos distintos, as entidades pedem concessão de medida cautelar para suspender a validade da normativa. Na avaliação da sigla, o documento publicado na última quinta-feira “extrapolou” os limites de atuação e atendeu a “vontades morais” dos membros do conselho.

De acordo com a resolução, publicada no Diário Oficial da União na última quinta-feira, fica vedada aos médicos a realização do procedimento de assistolia fetal, utilizado para a interrupção da gravidez em fase avançada. A normativa vai de encontro com a legislação brasileira, que não estabelece limite máximo para o procedimento, método recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para casos de aborto legal acima de 20 semanas.

Em ação movida nesta terça-feira, o PSOL afirma que a resolução institui “tratamento discriminatório no acesso à saúde”, indo na contramão dos cenários previstos em lei para a realização do aborto legal no país — em caso de estupro, anencefalia do feto ou que envolva risco de vida à gestante. A sigla defende que a norma é inconstitucional por dar margem incorrer em “violação grave do direito à saúde e de acesso universal e igualitário aos serviços”.

“O procedimento de indução de assistolia fetal não é apenas o mais indicado como também mais seguro e emocionalmente mais apropriado, contribuindo para a resolutividade de casos que, não raro, demoram a chegar nos serviços, como comumente são os de violência sexual. Assim, a proibição do procedimento submete meninas e mulheres à manutenção de uma gestação compulsória ou à utilização de técnicas inseguras para o aborto, privando-as do acesso ao procedimento e à assistência adequada por vias legais, submetendo-as a riscos de saúde ou morte”, afirma a ação movida pelo PSOL.

A resolução foi duramente criticada por órgãos de direitos humanos e parlamentares vinculados a siglas de esquerda. Nesta segunda-feira, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública junto à Sociedade Brasileira de Bioética (SBB) e pelo Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) para afastar restrições indevidas de acesso à saúde a vítimas de estupro que engravidaram. De acordo com o MPF, a norma incorre em instabilidade jurídica e, ao limitar indiretamente o acesso ao aborto legal, “acrescentou uma barreira à integralidade de cuidados à saúde”.

“O Estado e a comunidade médica devem assegurar o acesso ao procedimento abortivo de forma segura, rápida e sem burocracia”, defendem as entidades, no documento.

Conteúdo Original / Fonte: O GLOBO

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