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Sintomas que vacinados contra a dengue devem monitorar após pausa

Por Fhagner Soares, ContilNet 10/06/2026 às 05:51
Sintomas que vacinados contra a dengue devem monitorar após pausa

Comissão técnica investiga se há relação direta com o imunizante, que já foi aplicado em 501 mil pessoas no SUS/ Foto: Reprodução

O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária e preventiva da aplicação do imunizante contra a dengue desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida de controle sanitário, oficializada na última segunda-feira (8), foi adotada após a notificação de quadros clínicos graves em 42 pacientes que haviam recebido a dose recentemente. Desse grupo, três pessoas necessitaram de internação hospitalar e duas evoluíram para o óbito.

Uma junta de médicos infectologistas e peritos em farmacovigilância abriu uma investigação aprofundada para rastrear o histórico dos pacientes. O objetivo é atestar se as complicações de saúde e os óbitos foram provocados por lotes específicos da vacina ou se decorreram de patologias preexistentes e infecções paralelas não diagnosticadas.

A pasta reforça que a paralisação dos trabalhos nas salas de vacina é um protocolo padrão de segurança e não anula a cobertura vacinal de quem já completou o esquema:

“É importante lembrar que essa vacina tem eficácia comprovada. Todas essas pessoas que estão vacinadas, elas estão protegidas conforme a proteção que é dada pela vacina”, assegurou o diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, em entrevista à Rádio Nacional.

As autoridades do PNI emitiram uma nota técnica de orientação direcionada aos cidadãos que foram imunizados recentemente. O foco principal de monitoramento deve se concentrar em quem recebeu a dose em um intervalo inferior a três semanas, período em que o organismo passa pelo processo biológico conhecido como viremia vacinal.

Durante esses 21 dias iniciais, o sangue do paciente abriga a forma enfraquecida e atenuada do vírus da dengue contida no frasco. A presença controlada do agente etiológico serve para que o sistema imunológico aprenda a produzir os anticorpos necessários para combater a versão selvagem da doença. Por simular a infecção de modo brando, reações adversas podem mimetizar os sinais tradicionais da arbovirose.

Os vacinados dentro desse intervalo devem monitorar o corpo e buscar atendimento em unidades de saúde caso manifestem:

“Se porventura tiverem algum desses sinais ou sintomas, elas devem procurar um serviço de saúde e devem procurar assistência”, orientou Gatti. Para os cidadãos que completaram mais de 21 dias da aplicação e permanecem assintomáticos, o diretor do PNI esclareceu que não há necessidade de buscar suporte médico, uma vez que a fase de replicação viral segura já foi superada e o organismo encontra-se em estágio pleno de proteção imunológica.

Antes de ser incorporada ao cardápio de imunizações do SUS em janeiro deste ano, a vacina do Instituto Butantan cumpriu todas as etapas regulatórias e ensaios clínicos exigidos pelos marcos legais da ciência brasileira. Durante a fase de testes em larga escala, mais de 11 mil voluntários foram submetidos ao acompanhamento de longo prazo por até cinco anos, garantindo o selo de aprovação definitiva emitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os relatórios técnicos apontam que a vacina possui uma eficácia geral consolidada de 65% para evitar a ocorrência da dengue clássica. O principal trunfo do medicamento, contudo, reside na proteção contra quadros agudos: o índice de eficácia ultrapassa os 80% para bloquear internações hospitalares e casos graves que evoluem para a modalidade hemorrágica.

Até o dia 30 de maio, o balanço de imunização registrava a aplicação de 501 mil doses no país. Nesta primeira fase de implantação, o ministério distribuiu os lotes para três municípios-piloto: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), focando em adolescentes e adultos de 15 a 59 anos. Em março, uma barreira sanitária também vacinou moradores em Araguaína (TO) e, em fevereiro, o contingente de profissionais da atenção primária à saúde recebeu as primeiras doses protetivas.

Com informações Agência Brasil 

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