Descartado suspeita de ebola em paciente vindo do Congo

Exames deram negativo para o vírus em imigrante de 37 anos internado em estado grave no Emílio Ribas

Por Fhagner Soares, ContilNet 02/06/2026 às 05:47
Homem de 37 anos deu entrada em estado grave com sintomas semelhantes aos da infecção africana; isolamento foi suspenso/ Foto: Reprodução

A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo confirmou, na última segunda-feira (1º), o descarte definitivo da suspeita de infecção pelo vírus Ebola em um imigrante de 37 anos, natural da República Democrática do Congo. O homem havia sido colocado em regime de isolamento total nas dependências do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, unidade médica de referência localizada na capital paulista.

De acordo com o boletim emitido pela pasta, as análises laboratoriais de alta complexidade não identificaram a presença de material genético do vírus nas amostras biológicas colhidas do paciente. O protocolo de monitoramento epidemiológico havia sido ativado após o homem manifestar sintomas clínicos compatíveis com a enfermidade logo após desembarcar no Brasil, vindo de uma viagem ao país de origem na África Central.

Após a exclusão da hipótese de ebola, as equipes médicas diagnosticaram o paciente com meningite meningocócica, uma infecção bacteriana severa desencadeada pela presença da Neisseria meningitidis. O imigrante continua hospitalizado e recebendo acompanhamento terapêutico especializado.

O quadro clínico do paciente exigiu intervenção médica imediata assim que ele deu entrada no Hospital Emílio Ribas. Transferido para a unidade de isolamento, o homem apresentava episódios de diarreia intensa, quadro de desorientação mental e uma rápida deterioração de suas funções vitais, fatores que obrigaram a equipe de plantão a realizar o procedimento de intubação.

Em razão do histórico de viagem recente a uma região endêmica, a junta médica adotou o princípio da precaução sanitária. O paciente foi mantido em uma ala isolada e sob os rígidos critérios de biossegurança estipulados pelos manuais internacionais para o manejo de patologias de alto contágio, visando proteger o corpo de funcionários e os demais internos da instituição.

A vigilância epidemiológica nacional também se mobilizou em torno do cenário. O Ministério da Saúde informou que recebeu notificações no último sábado (30) a respeito de dois casos com suspeitas correlatas em território brasileiro. Além do episódio solucionado em São Paulo, os órgãos federais acompanham uma investigação em andamento no estado do Rio de Janeiro.

O segundo caso envolve um viajante procedente de Uganda, que procurou atendimento médico após apresentar sintomas como calafrios, tosses constantes e crises de diarreia. Os primeiros testes laboratoriais processados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) confirmaram que o paciente contraiu malária. Ele permanece recebendo tratamento hospitalar enquanto aguarda a liberação dos laudos definitivos que atestem a ausência do vírus Ebola.

Em nota oficial, o Ministério da Saúde assegurou que o risco de dispersão ou transmissão do vírus Ebola no Brasil e em todo o continente sul-americano permanece classificado como baixo. A pasta federal reiterou que o sistema público de saúde dispõe de fluxos estruturados para a identificação precoce, investigação laboratorial e isolamento de casos suspeitos, sustentados por comitês de resposta rápida para crises de saúde pública.

A doença provocada pelo ebola caracteriza-se como uma infecção sistêmica grave com histórico de elevados índices de letalidade. O quadro clínico inicial abrange febre abrupta, dores musculares difusas, fadiga extrema, cefaleia e desconforto abdominal, evoluindo para vômitos e hemorragias. O contágio entre humanos se restringe ao contato direto com fluidos e secreções corporais de indivíduos infectados, sobretudo nos estágios terminais da patologia.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) mantém operações de monitoramento de surtos ativos na República Democrática do Congo e em Uganda, mas reitera que a probabilidade de disseminação global é restrita, concentrando o nível de alerta máximo somente nas nações afetadas e em suas respectivas fronteiras terrestres.

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensão de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteúdo de qualidade gratuitamente.