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Sob pressão e crise no Irã, governo debate aumento de etanol na gasolina

Por Fhagner Soares, ContilNet 14/07/2026 às 06:06

Ministério de Minas e Energia busca acordo com distribuidoras para evitar novos adiamentos/ Foto: Reprodução

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) reúne-se nesta terça-feira (14) para deliberar sobre uma das pautas mais complexas e discutidas do setor de combustíveis nos últimos meses: a elevação do percentual obrigatório de etanol anidro misturado à gasolina comercializada no país. O debate ocorre em um momento de forte pressão do setor produtivo e de visões divergentes dentro do próprio Executivo sobre a velocidade de implementação da mudança.

A mesa de negociações avalia a ampliação do patamar atual de 30%, adotado em junho do ano passado,  para um piso de 32%, com margem para alcançar até 35%. A decisão chega ao colegiado após sucessivas retiradas de pauta causadas por discordâncias técnicas entre a indústria automotiva, produtores de cana-de-açúcar e órgãos reguladores.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, lidera a ofensiva para construir um consenso em torno da medida. Nos últimos dias, o chefe da pasta realizou rodadas de negociações de bastidores com integrantes de diferentes ministérios e representantes das distribuidoras na tentativa de consolidar uma proposta de transição gradual que reduza a resistência política.

A urgência em torno do tema ganhou um novo componente estratégico devido ao cenário de instabilidade geopolítica no Oriente Médio. O conflito no Irã tem pressionado as cotações internacionais do barril de petróleo Brent. Diante desse cenário, a ala governamental favorável ao reajuste argumenta que o aumento da fatia do biocombustível nacional desempenha funções essenciais:

No entanto, a equipe econômica e técnicos do governo ponderam que a volatilidade externa também exige cautela, alertando que alterações estruturais bruscas em momentos de desequilíbrio de mercado podem gerar efeitos colaterais imprevistos.

O debate no CNPE reproduz o histórico cabo de guerra entre duas das principais forças econômicas do país: o setor sucroenergético e a indústria de veículos.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) defende a necessidade de um cronograma estendido de monitoramento. Embora a entidade não se oponha frontalmente à agenda sustentável, ela demanda a realização de ensaios laboratoriais detalhados para medir o impacto da abrasividade química de uma mistura acima de 30% sobre os sistemas de injeção direta e a durabilidade de componentes internos, especialmente em modelos mais antigos.

Em contrapartida, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) assegura que a viabilidade técnica da ampliação já está sedimentada. De acordo com a associação de produtores, a modelagem que embasa a proposta foi estruturada a partir dos ensaios de engenharia do programa federal Combustível do Futuro. Os relatórios atestariam a estabilidade operacional dos motores flex em quesitos como partida a frio, índice de consumo energético, emissões de gases poluentes e desgaste mecânico geral.

Se aprovada, a transição para os novos limites deve ser aplicada por meio de cronogramas faseados, assegurando o tempo necessário de adequação logística para as distribuidoras em todo o território nacional.

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