23/09/2026

Taxação dos super-ricos pode virar recurso do G20 contra desigualdade e mudanças climáticas

Principal proposta do Brasil na presidência do G20 deve ser debatida em encontro no Rio de Janeiro

Por Marina, ContilNet
Encontro dos líderes do G20 acontece nos dias 18 e 19 de novembro (Foto: Fernando Frazão, Agência Brasil)

A taxação dos super-ricos, que poderá servir como fonte de financiamento para o combate à desigualdade e o enfrentamento das mudanças climáticas, deve ser uma das pautas do encontro da cúpula do G20 na próxima semana. Essa é a principal proposta do Brasil, que ocupa a presidência do grupo no momento.

Encontro dos líderes do G20 acontece nos dias 18 e 19 de novembro (Foto: Fernando Frazão, Agência Brasil)

A reunião acontece na próxima semana, no Rio de Janeiro, e contará com a presença dos chefes de Estado e de Governo das 19 maiores economias do planeta, além da União Europeia e União Africana.

A proposta foi apresentada pelo Brasil em fevereiro, na reunião dos ministros de Finanças e presidentes dos bancos centrais do G20, em São Paulo. O próprio ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chamou a ideia de “ambiciosa”.

O Brasil defende que a renda dos bilionários mundiais seja taxada em um imposto mínimo de 2%, o que resultaria em um imposto entre 200 bilhões e 250 bilhões de dólares anualmente, segundo um dos autores da proposta, o economista francês Gabriel Zucman.

Apenas 3 mil pessoas em todo o mundo seriam afetadas pela taxação dos super-ricos, sendo que 100 destes estão na América Latina, destaca Zucman.

De acordo com um estudo da Oxfam, confederação que busca soluções para a pobreza, desigualdade e injustiça, os impostos sobre a riqueza arrecadam quatro vezes menos que os sobre o consumo no planeta.

No Brasil, a ideia é que os valores fossem aplicados no desenvolvimento sustentável e redução de desigualdades. Um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made/USP) apontou que o imposto de 2%, que teria incidência sobre os 0,2% mais ricos do país, resultaria em uma arrecadação de R$ 41,9 bilhões por ano.

Esse valor poderia triplicar o orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia e multiplicar em cerca de dez vezes o orçamento do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas referente a 2024.

Países resistem à taxação dos super-ricos

Enquanto países como França, Espanha, Colômbia, Bélgica e África do Sul apoiam a ideia, outros como Estados Unidos e a Alemanha apresentam resistência à proposta. A União Africana foi favorável desde que o projeto foi apresentado em fevereiro.

Nesta reunião, os países não saíram com um comunicado conjunto oficial. O Brasil somente divulgou um resumo em que trazia o compromisso de modernizar a tributação de multinacionais à era digital e estabelecer uma tributação global mínima para as empresas globais.

Nos últimos meses, Haddad tem atuado para que a iniciativa ganhe mais apoio em eventos com lideranças e viagens ao exterior.

G20 Social

Além da decisão dos chefes de Estado e de Governo, o Brasil deve ouvir o G20 Social, que reúne entidades, organizações e acadêmicos, na decisão da proposta sobre a taxação de grandes fortunas.

Esses grupos irão apresentar sugestões para embasar as discussões durante a reunião da cúpula. O G20 Social se reúne de quinta-feira (14) a sábado (16), antes da reunião dos líderes do G20, nos dias 18 e 19.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, destacou na última semana que a taxação dos super-ricos deve estar presente no relatório final do G20 Social.

Além disso, os debates do encontro devem girar em torno dos temas: combate à fome, à pobreza e à desigualdade; desenvolvimento sustentável (incluindo o debate sobre mudanças climáticas e transição energética justa) e reforma da governança global.

*Com informações de Agência Brasil

Conteúdo Original / Fonte: NSC Total

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