Terra ‘pulsa’ a cada 26 segundos e fenômeno intriga cientistas

Sinal sísmico é registrado há mais de 60 anos e tem origem no Golfo da Guiné

Por Dry Alves, ContilNet 19/07/2026 às 08:23
Sinal sísmico tem origem no Golfo da Guiné/Foto: Reprodução

Um discreto sinal sísmico que se repete aproximadamente a cada 26 segundos tem desafiado pesquisadores há mais de seis décadas. O fenômeno, popularmente descrito como o “pulso da Terra”, é imperceptível para as pessoas, mas pode ser identificado por equipamentos instalados em diferentes partes do mundo.

O sinal foi documentado no início da década de 1960 pelo geólogo Jack Oliver, então pesquisador do Observatório Geológico Lamont-Doherty, da Universidade Columbia, nos Estados Unidos. Na época, ele concluiu que a vibração vinha de alguma região do Atlântico Sul ou Equatorial.

Estudos posteriores conseguiram restringir a origem do microtremor ao Golfo da Guiné, na costa oeste da África. O sinal apresenta frequência próxima de 0,038 hertz e, em determinados períodos, pode ser detectado por estações sísmicas localizadas a milhares de quilômetros da fonte.

Apesar da regularidade, os cientistas ainda não chegaram a uma explicação definitiva. Uma das hipóteses associa o fenômeno ao impacto das ondas do oceano sobre a plataforma continental, que produziria vibrações capazes de atravessar a crosta terrestre.

Outra possibilidade aponta para processos vulcânicos ou hidrotermais subterrâneos. A região investigada fica próxima à linha vulcânica de Camarões e à ilha de São Tomé, embora não exista um vulcão conhecido exatamente no ponto de origem do sinal.

Um estudo publicado em 2023 na revista Communications Earth & Environment identificou ainda variações graduais de frequência associadas ao mesmo microtremor. Segundo as pesquisadoras, as características observadas não são totalmente explicadas pelos mecanismos oceânicos e vulcânicos conhecidos.

Apesar de ser chamado de “batimento cardíaco” da Terra nas redes sociais, o fenômeno não representa um coração do planeta nem indica a proximidade de terremotos, erupções ou catástrofes. Trata-se de um sinal sísmico de baixa intensidade, estudado principalmente por seu comportamento incomum e persistente.

A existência do microtremor, portanto, é verdadeira. O mistério está no mecanismo que mantém o sinal ativo, no mesmo ponto e com tamanha regularidade ao longo de décadas.

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