Testemunho de jovem agredida por Jairinho na infância pesou em condenação

Desabafo revela culpa por silêncio antes da morte do menino Henry Borel

Por Fhagner Soares, ContilNet 08/06/2026 às 05:30
Depoimento de jovem agredida aos 5 anos por Jairinho é exibido pelo 'Fantástico'/ |Foto: Reprodução

Um depoimento exibido pelo programa Fantástico, da TV Globo, neste domingo (7), trouxe a público revelações sobre o histórico de violência do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho. Atualmente com 18 anos, a filha de uma ex-namorada do político detalhou em juízo ter sido vítima de agressões físicas e abusos psicológicos perpetrados pelo homem quando ela tinha apenas 5 anos de idade.

O relato serviu como um dos pilares técnicos de acusação da Promotoria de Justiça durante o julgamento que culminou, na última semana, na condenação do ex-parlamentar pela morte do menino Henry Borel. Conforme o veredito emitido pelo Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, Jairinho recebeu uma pena unificada de 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão, a ser cumprida inicialmente em regime fechado, pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo.

De acordo com as declarações prestadas pela jovem perante as autoridades judiciais, os episódios de violência transcorriam de forma sistemática no período em que o ex-vereador mantinha um relacionamento afetivo com a mãe dela. A testemunha narrou que era conduzida por Jairinho a motéis, cenários onde era submetida a agressões físicas e a situações de confinamento que a deixavam aterrorizada. Na infância, ela optou por omitir a rotina de violência por temor de retaliações e pelo receio de provocar sofrimento emocional à sua mãe.

A decisão de romper o silêncio institucional estruturou-se apenas em março de 2021, logo após a ampla repercussão nacional do assassinato de Henry Borel, que tinha 4 anos. Diante da semelhança dos relatos de agressão na imprensa, a jovem e sua mãe decidiram procurar voluntariamente a família paterna do garoto para reportar o histórico de abusos sofridos anos antes, fornecendo aos investigadores a linha de reincidência comportamental do réu.

No depoimento veiculado pela emissora de televisão, a jovem externou o peso psicológico decorrente do período de silêncio:

“Eu me senti muito culpada, porque achei que, se a gente tivesse feito alguma coisa, se a gente tivesse falado, não teria chegado ao que chegou”, declarou a testemunha.

O assassinato do menino Henry Borel ocorreu no dia 8 de março de 2021, no interior do apartamento onde a criança residia em companhia de sua mãe e do então padrasto, na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense.

Os laudos periciais emitidos pelo Instituto Médico Legal (IML) à época das investigações foram categóricos ao apontar que a causa do óbito decorreu de uma laceração hepática de grande extensão, provocada por múltiplas lesões de ação contundente sofridas no interior do imóvel, sepultando a tese de acidente doméstico sustentada pela defesa de Jairinho ao longo do processo.

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