Ucrânia acusa Rússia de atacar depósito de combustível nuclear em Chernobyl

Estatal afirma que radiação segue normal e que área afetada não continha material radioativo

Por Redação ContilNet 07/06/2026 às 12:10
Explosão provocou danos em prédio de recepção de materiais/ Foto: Reprodução

O governo da Ucrânia acusou as forças militares da Rússia de realizarem um ataque, na madrugada deste domingo (7), contra uma instalação de armazenamento de combustível nuclear usado localizada nas proximidades da antiga usina de Chernobyl, no norte do país. Conforme o pronunciamento do presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, a ação foi executada por meio de um veículo aéreo não tripulado do modelo Shahed, de concepção iraniana.

De acordo com o relatório técnico divulgado pela Energoatom — a empresa estatal responsável pela gestão do setor de energia nuclear na Ucrânia —, o impacto do artefato provocou danos estruturais na fachada e no interior de um edifício de recepção que integra o complexo de armazenamento de combustível irradiado.

A companhia informou, contudo, que o prédio específico atingido pela explosão não abrigava elementos nucleares no momento do incidente. Os sistemas de monitoramento ambiental indicaram que os índices de radiação na região histórica mantiveram-se estáveis e dentro dos padrões de segurança internacionais. Não houve registro de funcionários feridos.

Zelenskyy classificou a ofensiva militar como uma ação “extremamente vila” e acusou o governo de Vladimir Putin de colocar em risco a segurança atômica de todo o continente europeu. Em resposta imediata ao ocorrido, a chancelaria da Ucrânia formalizou uma notificação de emergência junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU). A instituição internacional anunciou o envio imediato de uma comissão de especialistas para inspecionar as condições estruturais do complexo.

O Ministério das Relações Exteriores ucraniano emitiu uma nota sustentando que o episódio reflete um padrão reiterado de ameaças russas direcionadas contra a infraestrutura crítica do país. A pasta cobrou uma reação coordenada e a imposição de novas sanções por parte da comunidade internacional.

Do lado russo, o Ministério da Defesa e o Kremlin não emitiram nenhuma manifestação oficial imediata sobre as alegações de Kiev até o início da tarde. Em episódios anteriores da guerra, o governo da Rússia negou de forma sistemática a autoria de ataques deliberados contra instalações de energia atômica e inverteu as acusações, responsabilizando as forças ucranianas por ofensivas que colocariam em risco usinas operadas por Moscou, em especial o complexo de Zaporíjia.

O incidente na região de Chernobyl ocorre em um cenário de escalada na utilização de drones de longo alcance por ambos os lados do conflito. Nos últimos dias, Rússia e Ucrânia intensificaram as operações aéreas de retaliação mútua contra refinarias, malhas elétricas e instalações industriais consideradas estratégicas.

A usina de Chernobyl foi o epicentro, em abril de 1986, do pior acidente nuclear da história da humanidade, após a explosão de um de seus reatores quando o território ainda integrava a União Soviética. Desde o início da invasão russa, órgãos de vigilância global vêm alertando para a vulnerabilidade das estruturas de contenção e resfriamento remanescentes diante da proximidade das linhas de combate.

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