01/09/2026

União Europeia suspende importação de carnes, ovos e mel do Brasil

Liberação para aves e mel pode ocorrer em poucas semanas, enquanto setor bovino enfrentará processo mais longo

Por Redação ContilNet
Medida entra em vigor nesta quinta-feira (3) e decorre do descumprimento de normas contra o uso de antibióticos/ Foto: Reprodução

Os 27 países que integram a União Europeia vão suspender temporariamente, a partir desta quinta-feira, 3 de setembro, as compras de carne bovina, carne de aves, ovos e mel produzidos no Brasil. A decisão ocorre após o país ter sido retirado, no mês de maio, da lista de nações autorizadas que cumprem as normas comunitárias contra o uso abusivo de antibióticos na pecuária.

As regras do bloco vedam a utilização de antimicrobianos para acelerar o crescimento ou aumentar a produtividade dos animais. Além disso, proíbem a aplicação de remédios de uso exclusivo humano na criação de rebanhos. As restrições fazem parte de uma política global contra a resistência bacteriana, problema associado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a mais de 1 milhão de mortes anuais no planeta.

A duração do embargo vai variar conforme a área de produção. Há perspectiva de retomada mais rápida para as vendas de carne de frango e mel, a depender do resultado de uma auditoria técnica internacional prevista para ser concluída nesta sexta-feira, 4 de setembro. Caso os pareceres recebam aval favorável dos Estados-membros, o envio desses itens poderá ser liberado nas próximas semanas.

Para a carne bovina, no entanto, a regularização das exportações deve exigir um prazo mais longo. De acordo com a Comissão Europeia, o ritmo para a comprovação de conformidade sanitária depende diretamente da duração do ciclo produtivo e do manejo de cada espécie animal.

Apesar da paralisação dos embarques, porta-vozes do Poder Executivo em Bruxelas declararam que o canal de diálogo com o governo brasileiro permanece aberto. A cúpula europeia afirma considerar o Brasil um parceiro comercial de peso e trabalha em conjunto com as autoridades do país para adequar os sistemas de fiscalização.

A medida gera impacto diplomático por ocorrer poucos meses após o acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul entrar em vigor, em maio deste ano, após assinatura firmada em janeiro. O tratado vinha sofrendo oposição de entidades agrícolas europeias e do governo da França, que cobravam maior rigor nas exigências ambientais e sanitárias impostas aos produtos importados.

O bloqueio afeta um mercado relevante para o agronegócio nacional. Em 2025, o Brasil ocupou o posto de segundo maior fornecedor de carne bovina para o mercado europeu, somando mais de 92 mil toneladas exportadas e faturamento superior a 713 milhões de euros (aproximadamente R$ 4,3 bilhões).

A revogação definitiva do embargo condiciona-se à apresentação de auditorias e garantias formais fornecidas pelo Ministério da Agricultura do Brasil que comprovem o cumprimento integral das exigências europeias.

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