O uso de smartphones entre idosos tem se tornado cada vez mais comum e, segundo especialistas, pode representar um importante aliado para a autonomia, o bem-estar e a qualidade de vida. No entanto, o benefício depende diretamente da forma como a tecnologia é incorporada à rotina.
De acordo com a docente da Afya Cruzeiro do Sul, Aline Diniz, os dispositivos móveis ampliam o acesso a informações de saúde, facilitam o acompanhamento de consultas, permitem lembretes de medicamentos e ainda podem contribuir para o monitoramento de indicadores de saúde. “Os smartphones trazem ganhos importantes para a autonomia do idoso. Eles facilitam o acesso à informação, ajudam no controle de medicações, no acompanhamento de consultas e aumentam a sensação de segurança, principalmente em situações de emergência. Além disso, fortalecem o vínculo com familiares, mesmo à distância”, explica.
Estímulo cognitivo e prevenção do isolamento social
Segundo a especialista, quando utilizados de forma adequada, os smartphones também podem exercer impacto positivo na cognição, estimulando funções como memória, atenção e raciocínio. “Atividades como leitura, jogos digitais e interação social online funcionam como estímulos mentais. Elas não substituem outras estratégias de cuidado, mas contribuem para um envelhecimento cognitivo mais saudável”, afirma.
Outro ponto destacado é o papel dos aplicativos de comunicação na redução do isolamento social, especialmente entre idosos que vivem sozinhos ou têm mobilidade reduzida. m“As videochamadas e os aplicativos de mensagem são fundamentais para manter vínculos sociais. Esse contato frequente ajuda a reduzir a solidão e impacta positivamente a saúde mental”, ressalta Aline Diniz.
Uso excessivo pode trazer riscos
Apesar dos benefícios, o uso inadequado ou excessivo do smartphone pode gerar efeitos negativos. Entre eles estão prejuízos ao sono, desconforto visual e impacto na saúde emocional. “O uso em excesso, principalmente à noite, pode afetar a qualidade do sono por causa da luz azul. Também pode causar cansaço visual e, em alguns casos, contribuir para ansiedade e sobrecarga de informações”, alerta a docente.
Ela também chama atenção para a possibilidade de dependência comportamental, ainda que menos frequente em idosos. “Alguns idosos podem desenvolver uso excessivo, especialmente ligado a redes sociais e notícias, o que pode gerar ansiedade. Por isso, o acompanhamento familiar é fundamental”, explica.
Para a especialista, a introdução da tecnologia na rotina dos idosos deve respeitar o ritmo individual de aprendizado e priorizar a simplicidade no uso. “É importante adaptar os dispositivos, aumentar fontes, simplificar aplicativos e ensinar de forma gradual. Também é essencial orientar sobre segurança digital e prevenção de golpes”, destaca.
Papel da família no uso saudável da tecnologia
Aline Diniz reforça ainda que o apoio familiar é determinante para garantir um uso equilibrado e seguro da tecnologia. “Os familiares devem incentivar com paciência, ensinar aos poucos e reforçar os cuidados com segurança digital. O ideal é que o uso da tecnologia seja associado à autonomia, mas sempre equilibrado com atividades presenciais e offline”, conclui.



