ApĂłs a enchente que levou o Rio Juruá a atingir a marca de 14,22 metros, a vazante passou a revelar novos problemas em áreas ribeirinhas de Cruzeiro do Sul. O avanço do desbarrancamento já afeta pelo menos cinco famĂlias, segundo a Defesa Civil Municipal.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil, JĂşnior Damasceno, equipes realizam vistorias em pontos considerados crĂticos e já confirmaram cinco residĂŞncias diretamente atingidas pelo processo de erosĂŁo do solo, com risco iminente de desabamento.
“Agora a gente está com base concreta nas nossas vistorias. Visualmente, temos cinco casas atingidas e com risco de desbarrancamento. Hoje estamos fazendo o desmanche de uma residĂŞncia nos fundos, porque ela já está praticamente na beira do assoalho da casa. O barranco já compromete totalmente a estrutura, causando risco Ă famĂlia”, explicou.
Segundo ele, a famĂlia que morava no imĂłvel já foi retirada do local e encaminhada para o aluguel social, recebendo apoio do municĂpio. A retirada controlada da estrutura busca preservar parte do material da casa para possĂvel reaproveitamento em uma futura reconstrução em área segura.

FenĂ´meno ocorre apĂłs o rio atingir 14,22 metros; solo perde sustentação com a descida rápida do nĂvel da água/ Foto: ContilNet
Além dessa residência, outras quatro casas seguem em fase de vistoria e podem passar por remoção preventiva nos próximos dias.
“Temos mais quatro casas em fase de vistoria. Uma delas provavelmente amanhĂŁ já vamos iniciar o desmanche, porque tambĂ©m está muito prĂłxima da beira do barranco. A ideia Ă© evitar qualquer tipo de acidente e garantir a segurança das famĂlias”, acrescentou.
JĂşnior Damasceno destacou ainda que o problema vem se agravando ao longo dos anos devido Ă dinâmica natural do rio. Segundo ele, somente neste perĂodo já houve avanço superior a 20 metros de erosĂŁo em determinados trechos.
“No começo do ano já retiramos uma casa do solicitante Adriano, que praticamente nĂŁo tem mais barranco no local. É uma área que a cada ano fica mais comprometida com a subida e descida do nĂvel do rio. Esse ano tivemos mais de 20 metros de assoreamento nessa regiĂŁo”, afirmou.
Moradora teme perder a casa
Entre as famĂlias afetadas está a moradora Maria Jane, de 41 anos, que vive na zona urbana de Cruzeiro do Sul com os quatro filhos. Ela relata preocupação constante com o avanço do barranco prĂłximo Ă residĂŞncia.

Sem recursos para comprar terrenos seguros, moradores de baixa renda dependem de auxĂlio-moradia do municĂpio/ Foto: ContilNet
“O barranco tá chegando próximo da minha casa e eu tô preocupada. Tem noite que eu perco o sono pensando no barranco”, disse.
Maria Jane contou que deixou a zona rural para garantir os estudos dos filhos na cidade, mas agora teme não ter condições financeiras para se mudar novamente.
“Eu não tenho condições de comprar um terreno, eu queria a ajuda de um terreno”, relatou.
Segundo ela, a erosĂŁo avançou rapidamente apĂłs o perĂodo de cheia e vazante do Rio Juruá.
“Avançou mesmo. Depois que eu cheguei aqui começou a quebrar. Esse pé de limão ficava lá longe, na beira do rio. Agora começou a quebrar”, explicou.
A moradora afirma que a distância entre a casa e a margem do rio diminuiu drasticamente nos últimos meses.
“Levou muita terra e tá em risco o barranco de carregar minha casa”, afirmou.
Ela informou ainda que a famĂlia sobrevive apenas com o benefĂcio do Bolsa FamĂlia e nĂŁo possui condições financeiras de adquirir outro terreno.
“Não tenho recurso de comprar um terreno”, concluiu.

