O funeral do motorista por aplicativo Antônio Marcos dos Santos Filho, de 23 anos, conhecido popularmente como “Gordinho da Revoada”, foi marcado por protestos e forte sentimento de consternação entre parentes e amigos nesta terça-feira (2), em Porto Velho, Rondônia. O sepultamento ocorreu um dia após o corpo do jovem ser localizado em uma estrada vicinal nas proximidades do município de Guayaramerín, na Bolívia, encerrando um período de buscas intensas e angústia para o núcleo familiar.
O caso gerou grande repercussão e chocou a população de Rondônia devido aos requintes de crueldade empregados na ação dos executores. Antes do homicídio, os criminosos registraram o ato em formato audiovisual. Nas imagens, que foram posteriormente enviadas aos familiares da vítima, o trabalhador autônomo foi submetido a cárcere privado e obrigado a gravar uma declaração formal sob coerção antes de ser atingido por múltiplos disparos de arma de fogo.
Durante a cerimônia de despedida, a mãe da vítima, Gleisiane, quebrou o silêncio e concedeu uma entrevista emocionada ao canal de comunicação local conduzido pelo produtor de conteúdo Jhon Silva. Em um relato contundente, ela expôs o abalo psicológico sofrido pelos parentes diante do acesso ao material compartilhado pelas redes e cobrou das autoridades de segurança a identificação imediata de todos os envolvidos no homicídio.
“É muito doído para uma mãe ver a morte do filho como eu vi”, desabafou Gleisiane, fazendo alusão direta ao registro em vídeo da execução do jovem de 23 anos. A mãe enfatizou que, até o momento da realização do velório, a família permanecia sem respostas oficiais a respeito das motivações que levaram ao assassinato do motorista.
Antônio Marcos havia desaparecido em Porto Velho e, desde o registro da ocorrência, mobilizava grupos de busca integrados por motoristas de aplicativo e familiares. A localização do cadáver na última segunda-feira (1º) confirmou as suspeitas de que os executores utilizaram a linha de fronteira internacional com a Bolívia como rota de fuga e descarte de evidências.
A Polícia Civil do Estado de Rondônia assumiu o caso e trabalha em cooperação institucional para analisar:
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Os elementos técnicos e metadados do vídeo gravado antes dos disparos;
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Os indícios e vestígios materiais colhidos na estrada boliviana onde o corpo foi deixado;
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O histórico de chamadas e as últimas rotas de viagem registradas pelo celular do profissional.
Embora a localização do corpo tenha encerrado a etapa de buscas físicas na região de Guayaramerín, as forças de segurança reforçaram que o inquérito policial segue aberto e em ritmo prioritário. A investigação criminal busca agora determinar a autoria material dos tiros e checar a existência de possíveis mandantes intelectuais por trás do crime transfronteiriço.
Veja o vídeo:
