Um vídeo gravado por uma beneficiária do programa Bolsa Família vem acumulando milhares de visualizações e compartilhamentos nas redes sociais nos últimos dias. Na gravação, a mulher, que é mãe de dois filhos, faz um desabafo realista e detalha, centavo por centavo, como o benefício federal é integralmente consumido por despesas essenciais de sobrevivência, reacendendo o debate sobre o custo de vida e a real função dos auxílios governamentais no país.
Segurando as contas de consumo e faturas em mãos, a autora do vídeo relata que a prioridade do mês foi garantir a manutenção dos serviços básicos da residência. Do total recebido, ela destinou R$ 150,00 para a conta de energia elétrica, R$ 50,00 para o abastecimento de água e R$ 75,00 para o serviço de internet.
Além do custeio da casa, o orçamento do programa social foi direcionado para a educação do filho mais velho, de 14 anos, que estuda em um município vizinho. “Esse curso eu pago todo mês R$ 200,00. Então eu paguei com o Bolsa Família o curso do meu filho”, explicou.
O relato expõe as dificuldades enfrentadas pelas famílias de baixa renda para manter as crianças na escola. A moradora revelou que, por não possuir dinheiro em espécie ou crédito próprio, precisou pegar o cartão de crédito de uma amiga emprestado para parcelar calçados escolares novos para os dois filhos, gerando uma parcela mensal de R$ 90,00. Somado a um gasto de R$ 65,00 com medicamentos em farmácia, o saldo final do benefício foi quase zerado.
“Juntando isso tudo, sobrou para mim R$ 35,00. Agora me digam o que dá para fazer com 35 reais que sobrou”, questionou a beneficiária, exibindo em seguida o armário de mantimentos da casa para mostrar que o valor do auxílio não é suficiente para realizar a compra de mantimentos do mês.
Para garantir a alimentação básica da casa e evitar que os filhos passem fome, a mulher explica que a rotina exige jornadas duplas de trabalho informal. “Eu vou ter que esperar sábado porque por fora eu ainda tenho que fazer uns bicos. Eu faço faxina, eu vendo bilhetinho para entrar um extra, porque senão eu e meus filhos passamos fome”, desabafou.
No encerramento do vídeo, a mãe rebateu as críticas de setores sociais que enxergam o programa de transferência de renda como um privilégio ou sinônimo de acomodação financeira. A declaração gerou forte identificação entre internautas que vivem realidades semelhantes na periferia.
“Para você, riquinho, que está achando que ter Bolsa Família é luxo, não é não, tá certo? Bolsa Família é um auxílio, é uma ajuda, é um complemento para aquelas famílias que são mais carentes, mais necessitadas. Se não fosse isso, muitas famílias ainda passariam na extrema pobreza mesmo, mais do que já está. Se não fosse o Bolsa Família na minha vida, eu não sei nem o que seria de mim e nem dos meus filhos”, concluiu.
Veja o vídeo:
