Um experimento biológico realizado no rio Madeira, em Rondônia, ganhou repercussão nas redes sociais ao demonstrar a voracidade de uma das espécies mais temidas da fauna aquática amazônica: o candiru. Durante uma expedição científica realizada na última semana, o biólogo e professor Flávio Terassini registrou o momento em que dezenas de peixes destroçam um frango cru amarrado a uma corda em menos de dois minutos.
O animal utilizado no registro audiovisual foi o candiru-açu, uma espécie necrófaga e carnívora conhecida por seus hábitos carniceiros. De acordo com as notas explicativas do pesquisador, o frango descongelado foi lançado nas águas durante o período noturno e bastaram menos de 30 segundos para que os primeiros exemplares do peixe localizassem a isca e dessem início ao processo de alimentação coletiva.

O professor Flávio Terassini utilizou uma ave crua para analisar os hábitos do candiru-açu, tipo de peixe necrófago de águas turvas/ Foto: Instagram
Diferentes espécies de candirus habitam a região amazônica, mas o candiru-açu destaca-se pelo comportamento em grupo. Esse peixe vive predominantemente em rios de águas escuras e turvas como o próprio rio Madeira e seus afluentes, ambiente onde a visibilidade é reduzida. Para compensar a limitação visual, a espécie desenvolveu um sistema olfativo altamente apurado, capaz de rastrear vestígios de matéria orgânica a longas distâncias na correnteza.
O experimento evidenciou a velocidade com que os mecanismos da cadeia ecológica operam nos ecossistemas aquáticos da Amazônia. Segundo os especialistas, espécies oportunistas e necrófagas como o candiru-açu desempenham uma função essencial de limpeza biológica e participam ativamente do processo natural de decomposição no leito dos rios.
Apesar das imagens impactantes que impressionaram os internautas e da agressividade demonstrada na captura do alimento, os biólogos ressaltam que os ataques de candirus-açus a seres humanos vivos são considerados raros pelas autoridades médicas e científicas. O comportamento agressivo documentado no vídeo direciona-se a corpos já sem vida ou animais em processo de afogamento.


