Um vídeo divulgado neste domingo (20) que mostra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes desembarcando de um jatinho no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, contradiz a versão oficial apresentada pelo gabinete do magistrado em abril de 2026. A aeronave utilizada na viagem é ligada ao empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Na gravação, divulgada inicialmente pelo jornal O Globo, o ministro aparece ao lado da esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes. Na época em que surgiram as primeiras suspeitas sobre o uso de aeronaves do empresário, o gabinete do ministro emitiu uma nota negando qualquer viagem do magistrado em aviões pertencentes a Vorcaro ou em sua companhia.
“O ministro Alexandre de Moraes jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”, afirmava o comunicado oficial do gabinete em abril.
A apuração sobre os voos ocorre no momento em que a Polícia Federal (PF) investiga contratos milionários firmados entre o escritório de advocacia de Viviane Barci e empresas associadas a Vorcaro. Quando o episódio veio à tona, o escritório de advocacia declarou que contrata serviços de táxi aéreo de diversas empresas, entre elas a Prime Aviation, e que as viagens eram custeadas por meio de compensação de honorários previstos em contrato.
O escritório também afirmou na ocasião que a contratação de táxi aéreo atende a critérios operacionais, sem relação pessoal com proprietários das aeronaves, e reiterou que nem Vorcaro nem Zettel estiveram presentes nos voos realizados por seus integrantes.
O empresário Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em março deste ano durante uma operação que apura crimes contra o sistema financeiro, corrupção e lavagem de dinheiro. O Banco Master sofreu liquidação extrajudicial pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025, após a autoridade monetária identificar problemas graves de liquidez na instituição.
Antes da intervenção, o Master operava com captações de alto custo e oferecia Cédulas de Depósito Bancário (CDBs) com rendimentos de até 40% acima da média praticada pelo mercado financeiro.
Diante do agravamento da crise, Vorcaro tentou vender a instituição ao Banco de Brasília (BRB), mas a transação foi vetada pelo Banco Central. A despeito do veto à venda, o BRB adquiriu cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Master sem lastro financeiro, gerando um prejuízo bilionário às contas da instituição pública. O Banco Central apontou indícios de gestão fraudulenta na operação, que segue sob investigação da Polícia Federal.
