ViolĂŞncia patrimonial: MPAC alerta para crime que controla dinheiro, bens e liberdade das vĂ­timas

Campanha mostra que empréstimos feitos em nome da mulher, destruição de objetos de trabalho e controle financeiro também são formas de violência

Por Dry Alves, ContilNet 28/05/2026 Ă s 19:46

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) fez um alerta sobre uma forma de agressão que muitas vezes acontece de maneira silenciosa dentro dos relacionamentos: a violência patrimonial. O crime ocorre quando o agressor controla, destrói, retém ou usa bens, documentos, dinheiro e instrumentos de trabalho da vítima para mantê-la dependente.

A campanha divulgada pelo órgão chama atenção para situações que podem parecer “problemas de casal”, mas configuram violência. Entre os exemplos estão empréstimos feitos em nome da mulher, transferência de bens conquistados pelo casal para terceiros, controle sobre tudo o que ela compra e destruição de objetos usados para trabalhar.

Segundo o MPAC, a violĂŞncia patrimonial nem sempre deixa marcas fĂ­sicas, mas afeta diretamente a liberdade financeira, a autonomia e a capacidade de decisĂŁo da vĂ­tima. Em muitos casos, o agressor usa o dinheiro como forma de domĂ­nio, impedindo que a mulher trabalhe, estude, saia de casa ou rompa o relacionamento.

A prática também pode aparecer quando o companheiro quebra celular, esconde documentos, toma cartões bancários, impede o acesso ao próprio salário ou vende bens sem consentimento. Essas ações são formas de abuso e podem estar associadas a outros tipos de violência doméstica.

A campanha reforça que esse tipo de conduta é crime e deve ser denunciado. A vítima não precisa esperar uma agressão física para buscar ajuda. O controle financeiro, a ameaça de prejuízo material e a destruição de objetos pessoais já são sinais de alerta.

No Acre, mulheres que precisam de orientação ou atendimento podem procurar o Centro de Atendimento à Vítima (CAV), do Ministério Público do Estado do Acre. O contato informado pelo órgão é o telefone (68) 99993-4701.

A orientação é que vítimas, familiares ou pessoas próximas busquem apoio assim que perceberem sinais de controle, dependência forçada ou restrição ao acesso a dinheiro, bens e documentos. Quanto mais cedo a violência é identificada, maiores são as chances de proteção e interrupção do ciclo de abuso.

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