30 anos de sucessos: Jota Quest lança álbum ‘De volta ao novo’

Com 23 faixas, o trabalho vai do samba ao rap com participações de Sérgio Britto, Rael, Lucas Silveira, Dilsinho e FBC

Por Marina, ContilNet 16/09/2024 Ă s 08:22
Jota Quest lança nono álbum da carreira, De volta ao novo - (crédito: Weber Padua/Divulgação)

Formada na década de 1990, a banda mineira Jota Quest desconhece o fracasso. Alguns dos maiores sucessos do grupo, como Encontrar alguém e Fácil, foram lançados logo nos primeiros anos de carreira e tornaram-se responsáveis por dar início a um rol de músicas que entraram para o imaginário brasileiro. Quase 30 anos depois, o quinteto, que mantém a formação original até hoje, não desiste de emplacar novos hits e lança o nono álbum de estúdio, De volta ao novo.

“A gente nunca tinha demorado tanto tempo para lançar um disco”, destaca o vocalista RogĂ©rio Flausino em entrevista ao Correio. Antes, o Ăşltimo lançamento inĂ©dito da banda tinha sido em 2015, com PancadĂ©lico. O novo projeto, que soma ao todo 23 faixas, vem como uma coletânea de singles lançados nos Ăşltimos quatro anos e mĂşsicas compostas exclusivamente para o álbum.

“A pandemia veio para embaralhar as cartas todas, porque foi um perĂ­odo que bagunçou a cabeça de todo mundo. A gente Ă© uma banda que precisa se encontrar, tocar junto, gravar disco junto e, naquele momento, nĂłs nĂŁo conseguĂ­amos fazer isso”, lembra o cantor. Com a necessidade de ficar em casa, os artistas decidiram começar a gravar faixas avulsas para serem disponibilizadas on-line para os fĂŁs.

Uma delas, por exemplo, A voz do coração, parceria com Rael, foi gravada completamente a distância. A música eventualmente se tornou parte do repertório do De volta ao novo, ao lado de canções que contam com a participação de nomes como Sérgio Britto, fundador do Titãs, Lucas Silveira, vocalista da banda Fresno, o pagodeiro Dilsinho e o rapper FBC.

Jota Quest lança nono álbum da carreira, De volta ao novo – (crĂ©dito: Weber Padua/Divulgação)

Mesclando do samba ao rap, o lançamento do Jota Quest nĂŁo deixa de lado o ritmo que os levou ao estrelato: o pop. “O nosso quarto disco se chama Discotecagem pop variada. O Jota Quest Ă© isso. É aquela festa que toca black music, depois rock, seguido de um reggae e, no final, emenda com disco”, descreve o mineiro. “Nosso pop Ă© uma mistura de referĂŞncias desde a MPB atĂ© a mĂşsica eletrĂ´nica”, acrescenta.

O novo projeto chega em meio a uma das fases mais bem-sucedidas do grupo. Em dezembro, o quinteto encerra a maior turnĂŞ da carreira, Jota25, em celebração aos 25 anos de estrada. Em BrasĂ­lia, o show comemorativo ocorreu em outubro de 2022, no ManĂ© Garrincha. “Entregar um bloco de canções novas Ă© um desafio absurdo para uma banda de tanto tempo, porque muitas coisas poderiam ter acontecido para nĂłs nĂŁo termos chegado atĂ© aqui. EntĂŁo, o processo de decidir fazer um disco atĂ© ele ficar pronto Ă© muito sĂ©rio para nĂłs”, assegura Flausino.

Para os mĂşsicos, o álbum Ă© mais uma oportunidade de se reconectar artisticamente em busca de um novo repertĂłrio, sem esquecer da trajetĂłria que viveram atĂ© aqui. “Essa volta ao novo Ă© tentar encontrar na gente a primeira chama, o despertar da razĂŁo pelo qual nos tornamos uma banda”, explica. “A gente está sempre tentando encontrar dentro de nĂłs uma vontade que realmente nos impulsione”, complementa o integrante.

“Eu cheguei em Belo Horizonte em 1993 e peguei a cidade explodindo. Skank, Pato Fu, Virna Lisi, eram bandas de tudo quanto Ă© jeito tocando em tudo quanto Ă© lugar. Menino vindo do interior, achei uma cidade maravilhosa. Eu sempre brinco que o trem estava passando e eu falei: ‘PeraĂ­, deixa a gente ir tambĂ©m’, e nĂłs pegamos o Ăşltimo vagĂŁo”, conta.

Parceria

Flausino garante que, apesar de nĂŁo haver fĂłrmula secreta por trás do sucesso e da longevidade do Jota Quest, a manutenção da amizade e da relação entre os cinco Ă© essencial. “É muito difĂ­cil acontecer com uma banda o que aconteceu com o Jota Quest, chegar nesse ponto da carreira com tantos sucessos, enchendo shows e ainda fazendo mĂşsica. A gente tem que cuidar disso demais, e cuidar disso Ă© cuidar do nosso relacionamento”, avalia o cantor.

“Uma coisa que nĂłs sempre tentamos fazer Ă© passar por cima dos individualismos em detrimento do que Ă© coletivo”, afirma. “Tem que ceder, tem que ouvir o tempo todo. É um desafio, mas a recompensa Ă© maravilhosa. É estar, 30 anos depois, lançando um disco novo na maior empolgação, na reta final da maior turnĂŞ que a banda já fez na vida”, comemora.

O cantor revela que, apesar de sempre ter sonhado em tocar em grandes estádios, como ocorreu na Jota25, ele pensava que o tempo havia passado. “Nem todas nossas mĂşsicas viraram hits, nem todos os álbuns foram sucesso de vendas, mas, no fim do dia, a gente consegue fazer um show de duas horas e meia e 27 mĂşsicas cantadas com a ajuda do pĂşblico”, destaca. “Uma mĂşsica pode mudar a vida de alguĂ©m. E poder fazer parte da playlist da vida dos outros Ă© muito chique”, sorri o artista.

Em paz com o futuro, como canta a faixa que dá nome ao novo disco, o quinteto agora vislumbra os prĂłximos 30 anos de banda. “Muitas vezes, a gente começa a conversar com as pessoas e elas já partem da ideia de que a banda vai acabar, e eu sempre falo: ‘Cara, nĂłs nĂŁo vamos acabar'”, declara. “A gente tem que cuidar desse legado com responsabilidade, carinho e amor, porque foi isso que nos trouxe atĂ© aqui. Eu nĂŁo pretendo abrir mĂŁo disso assim tĂŁo fácil”, finaliza Flausino.

ConteĂşdo Original / Fonte: Correio Braziliense

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