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Comunidade surda reivindica protagonismo em editais de cultura

Por Redação ContilNet Fonte: Francisco Moreira, ContilNet 24/06/2026 às 09:40
Comunidade surda reivindica protagonismo em editais de cultura

Primeira “Escuta dos Surdos” realizada em Rio Branco expõe barreiras históricas e aponta caminhos para garantir acessibilidade e representatividade no fomento cultural do Estado.

Na tarde deste sábado, 20 de junho de 2026, o cenário cultural do Acre viveu um momento de ruptura e, ao mesmo tempo, de esperança. Pela primeira vez, uma Conselheira Estadual de Cultura, participante de um grupo de trabalho sobre editais de cultura abriu espaço para a Escuta dos Surdos, um encontro fundamental para debater a acessibilidade — ou a falta dela — nos editais de cultura.

Conduzida pela Conselheira Estadual de Cultura, Queli Cá, a reunião foi marcada pelo diálogo franco. Durante horas, a conselheira registrou as necessidades de uma parcela da população que, até então, encontrava no acesso aos editais de cultura um muro intransponível. A denúncia central dos participantes é clara: os atuais editais são excludentes, carecem de versões em Libras e impõem barreiras burocráticas que impedem a participação simplificada de artistas e produtores com deficiência.

Para a comunidade presente, não se trata apenas de acessibilidade técnica, mas de protagonismo. A reivindicação é para que o surdo deixe de ser um espectador passivo e passe a ser o agente criador: a plateia quer subir ao palco para apresentar seu teatro, sua dança, sua música e sua poesia.

“É importante que o surdo tenha as mesmas oportunidades que os ouvintes, sem ser excluído. Precisamos mostrar a nossa cultura, a nossa identidade e a nossa arte”, afirmou Lucas, presidente da Associação dos Surdos do Acre (ASSACRE), destacando que a arte surda é, em si, um ato de resistência e afirmação cultural.

A Escuta culminou em uma lista de demandas emergenciais que visam corrigir distorções históricas. A comunidade surda e de Pessoas com Deficiência (PcD) apresentou pontos cruciais que devem nortear a política pública nos próximos anos.

Dentre eles:

Edital Específico: Criação de um edital voltado exclusivamente a Pessoas com Deficiência, com aporte de R$ 500 mil, dispondo de critérios simplificados, tradução integral em Libras e recursos de audiodescrição, bem como o recebimento das propostas escritas e oral.

Manutenção de Cotas: Garantia de permanência das cotas destinadas às PcDs em todos os editais de cultura gerais, em paralelo ao edital específico, espelhando o modelo já consolidado de reserva de vagas e editais específicos que vem sendo destinados aos povos originários.

Acessibilidade Universal: Obrigatoriedade de ferramentas de acessibilidade — como Libras e audiodescrição — em todos os editais futuros do Estado.

A Conselheira Estadual de Cultura, Queli Cá, classificou o encontro como um passo histórico para as políticas públicas culturais do Acre. Em suas palavras, o reconhecimento dessas demandas não é um favor, mas uma obrigação inegociável do poder público.

“É lei e é direito Constitucional, reforçado pela Lei Brasileira de Inclusão, que o Estado proporcione todo o acesso e a acessibilidade necessária para a plena participação das pessoas com deficiência”, destacou Queli.

A conselheira firmou o compromisso de levar o pleito para o Grupo de Trabalho (GT) de Cultura que discute os Editais. A promessa é de que o GT atue na criação de uma orientação diretiva ao poder público, garantindo que as reivindicações da comunidade surda e PcD sejam traduzidas em práticas concretas nos futuros editais de cultura do Acre.

O setor cultural acreano, agora, volta seus olhos para os próximos Editais de Cultura do Estado, aguardando que a escuta deste sábado se converta, efetivamente, em inclusão, diversidade e, acima de tudo, respeito aos direitos humanos na arte.

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