Trabalhadores do Acre e de Rondônia foram envolvidos em 13 processos relacionados a denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho. Os casos fazem parte de um levantamento nacional realizado pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), com dados registrados entre maio de 2023 e dezembro de 2025.
Os dois estados integram a 14ª Região da Justiça do Trabalho, que aparece no levantamento com registros de denúncias de trabalhadores que teriam sido pressionados por questões políticas dentro do emprego. No país, foram contabilizados 694 processos distribuídos entre os 24 Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs).
Pressão pode acontecer de várias formas
O assédio eleitoral ocorre quando uma pessoa é pressionada, ameaçada ou constrangida no trabalho por causa de sua escolha política. Também é considerado assédio quando o trabalhador recebe a promessa de alguma vantagem em troca de apoio a determinado candidato.
Na prática, isso pode acontecer de maneira direta, como uma ameaça de demissão, ou de forma mais discreta. Um chefe pode, por exemplo, cobrar que funcionários participem de eventos políticos, publiquem mensagens de campanha ou demonstrem apoio a um candidato.
Outra situação apontada no levantamento envolve o uso de redes sociais. Empresas ou superiores podem tentar acompanhar as publicações dos funcionários para descobrir suas preferências políticas e, a partir disso, exercer algum tipo de pressão.
WhatsApp aparece entre os principais meios
A internet e os aplicativos de mensagens são utilizados em grande parte das denúncias. Segundo o levantamento, situações de assédio no meio digital aparecem em 67,4% dos processos analisados, com o WhatsApp entre as ferramentas mais citadas.
Também foram identificados casos envolvendo grupos criados para compartilhar propaganda política, envio de conteúdos de campanha e cobrança para que trabalhadores publiquem materiais políticos em seus próprios perfis.
O relatório aponta ainda que a pressão econômica é uma das principais estratégias usadas para tentar influenciar trabalhadores. Em aproximadamente seis de cada dez processos, aparecem situações envolvendo salário, cargo, demissão ou oferta de benefícios.
Casos se espalham pelo país
Embora o Acre e Rondônia tenham 13 processos registrados, os maiores números estão concentrados em outras regiões. São Paulo lidera o levantamento, seguido por Paraná e Rio Grande do Sul.
Somente os seis tribunais com maior quantidade de processos reúnem 409 ações, o que representa 58,8% de todos os casos analisados. O Tribunal Regional do Trabalho do Espírito Santo foi o único que não registrou processos de assédio eleitoral no período pesquisado.
Como identificar o assédio eleitoral?
A situação pode ser considerada assédio quando o trabalhador é pressionado a apoiar ou votar em determinado candidato por causa de sua relação de trabalho.
Entre os exemplos estão ameaçar alguém de demissão por causa do voto, prometer aumento ou benefício em troca de apoio político, exigir que o funcionário comprove em quem votou, obrigar a participação em atos de campanha e pressionar colegas a defender determinada candidatura.
A prática também pode ocorrer quando o empregador usa sua posição para favorecer funcionários que compartilham da mesma preferência política ou tenta descobrir a posição política de seus empregados para intimidá-los.
Quem passar por uma situação desse tipo pode procurar o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Justiça Eleitoral ou a ouvidoria do Tribunal Regional do Trabalho. As denúncias também podem ser feitas pelos canais disponíveis na internet.
