Apesar de apresentar melhora em relação ao ano passado, o Acre continua entre os estados que mais desperdiçam água tratada no Brasil. É o que aponta o relatório “Perdas de Água 2026: Desafios para Disponibilidade Hídrica e Avanço da Eficiência do Saneamento Básico no Brasil”, elaborado pela GO Associados e pelo Instituto Trata Brasil com base em dados oficiais do Sistema Nacional de Informações em Saneamento (SINISA).
De acordo com o levantamento mais recente, o estado registrou índice de perdas de 56,48% da água distribuída. O percentual representa uma redução de 5,77 pontos percentuais em comparação ao estudo divulgado em 2025, quando o Acre aparecia com 62,25% de perdas.
Mesmo com o avanço, o cenário ainda é preocupante. Mais da metade de toda a água potável produzida no estado continua sendo desperdiçada antes de chegar à população, seja por vazamentos na rede, ligações clandestinas, falhas de medição ou problemas operacionais.
Com o índice atual, o Acre ocupa a quinta pior posição do ranking nacional, atrás apenas de Alagoas (66,90%), Roraima (65,97%), Pará (57,33%) e Maranhão (56,68%). O percentual também permanece muito acima da média brasileira, que ficou em 39,53%.
O estudo destaca que, caso o estado consiga atingir a meta de perdas de 25% estabelecida pelo Ministério das Cidades, o volume de água recuperado seria suficiente para abastecer 154.671 pessoas.
Em termos práticos, a água desperdiçada diariamente no Acre equivale a 27 piscinas olímpicas cheias por dia, ou ainda a cerca de 90.983 caixas d’água de 750 litros. O dado evidencia o impacto do desperdício em um momento em que a segurança hídrica se torna cada vez mais relevante diante das mudanças climáticas e dos períodos de estiagem extrema registrados na Amazônia.
Na capital acreana, Rio Branco, o relatório também aponta um cenário desafiador. Com população estimada em 387.852 habitantes, o município permanece entre as capitais brasileiras com elevados índices de perdas na distribuição de água, reforçando a necessidade de investimentos em modernização, manutenção e substituição das redes de abastecimento.
