Acre tem a terceira pior taxa de arborização urbana do país, aponta IBGE

Apenas 42,4% dos domicílios acreanos contam com árvores em seu entorno

Por Fhagner Soares, ContilNet 08/06/2026 às 13:39
Estado registra índice muito abaixo da média nacional de 66,5% e amarga as últimas posições ao lado de Santa Catarina e Sergipe/ Foto: Reprodução

O Acre apresenta um deficit severo no planejamento ambiental de suas cidades. De acordo com dados definitivos do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado possui o terceiro pior índice de arborização urbana do Brasil. Apenas 42,4% das residências acreanas contam com a presença de árvores em vias públicas no seu entorno imediato.

O indicador coloca o território acreano em uma posição desfavorável no cenário nacional, enquadrado no bloco mais crítico de desempenho (na faixa de “até 50%”). O desempenho do Acre fica significativamente abaixo da média nacional de arborização de calçadas, que fechou em 66,56%. No ranking geral das 27 unidades da federação, o estado supera apenas Santa Catarina (41,27%) e Sergipe (38,71%), que amarga a última colocação.

Contraste na Amazônia e liderança do Centro-Oeste

A escassa presença de árvores nas calçadas das cidades acreanas chama a atenção quando confrontada com estados vizinhos da própria Região Norte. Rondônia, por exemplo, destaca-se positivamente na porção superior da tabela com 78,95% de domicílios arborizados. O Tocantins também exibe patamar elevado, atingindo 79,1%.

O Amazonas, embora inserido na mesma faixa de alerta do Acre, ainda ostenta um índice ligeiramente superior, com 45,27%. No topo do levantamento do IBGE, o Mato Grosso do Sul lidera isolado com 92,49% das vias públicas arborizadas, seguido pelo Distrito Federal (84,88%) e pelo Paraná (83,06%).

Mapeamento completo da arborização no Brasil

O cruzamento de dados feito pelo IBGE revela que a falta de infraestrutura verde nas ruas atinge de forma homogênea tanto estados com forte pressão demográfica no Nordeste quanto regiões de expansão urbana recente na Amazônia.

Abaixo, veja a tabela completa com o desempenho de cada estado no quesito arborização de entorno:

Classificação por Faixa Estado / UF Porcentagem (%) de Domicílios
Verde Escuro (80,1% ou mais)

Mato Grosso do Sul (MS)

 

Distrito Federal (DF)

 

Paraná (PR)

 

Goiás (GO)

 

Mato Grosso (MT)

92,49%

 

84,88%

 

83,06%

 

82,15%

 

80,87%

Verde Claro (70,1% a 80%)

Tocantins (TO)

 

Rondônia (RO)

 

Rio Grande do Sul (RS)

 

São Paulo (SP)

79,10%

 

78,95%

 

77,15%

 

74,93%

Amarelo / Laranja (60,1% a 70%)

Ceará (CE)

 

Piauí (PI)

 

Rio Grande do Norte (RN)

 

Paraíba (PB)

 

Minas Gerais (MG)

 

Rio de Janeiro (RJ)

 

Amapá (AP)

68,95%

 

66,80%

 

66,07%

 

64,74%

 

64,49%

 

62,65%

 

60,80%

Marrom Claro (50,1% a 60%)

Espírito Santo (ES)

 

Maranhão (MA)

 

Pará (PA)

 

Roraima (RR)

56,10%

 

52,16%

 

52,09%

 

51,32%

Marrom Escuro (Até 50%)

Pernambuco (PE)

 

Bahia (BA)

 

Alagoas (AL)

 

Amazonas (AM)

 

Acre (AC)

 

Santa Catarina (SC)

 

Sergipe (SE)

49,07%

 

48,39%

 

45,78%

 

45,27%

 

42,40%

 

41,27%

 

38,71%

Segundo urbanistas e engenheiros florestais, a baixa taxa de arborização em perímetros urbanos no Acre —mesmo o estado estando inserido na floresta amazônica— evidencia a falta de políticas continuadas de paisagismo e calçamento ecológico nos municípios. O deficit afeta diretamente a qualidade de vida, uma vez que a ausência de árvores nas ruas agrava o efeito das chamadas “ilhas de calor”, reduz o conforto térmico da população sob temperaturas elevadas e dificulta a drenagem natural das águas da chuva.

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensão de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteúdo de qualidade gratuitamente.