O Acre apresenta um deficit severo no planejamento ambiental de suas cidades. De acordo com dados definitivos do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado possui o terceiro pior índice de arborização urbana do Brasil. Apenas 42,4% das residências acreanas contam com a presença de árvores em vias públicas no seu entorno imediato.
O indicador coloca o território acreano em uma posição desfavorável no cenário nacional, enquadrado no bloco mais crítico de desempenho (na faixa de “até 50%”). O desempenho do Acre fica significativamente abaixo da média nacional de arborização de calçadas, que fechou em 66,56%. No ranking geral das 27 unidades da federação, o estado supera apenas Santa Catarina (41,27%) e Sergipe (38,71%), que amarga a última colocação.
Contraste na Amazônia e liderança do Centro-Oeste
A escassa presença de árvores nas calçadas das cidades acreanas chama a atenção quando confrontada com estados vizinhos da própria Região Norte. Rondônia, por exemplo, destaca-se positivamente na porção superior da tabela com 78,95% de domicílios arborizados. O Tocantins também exibe patamar elevado, atingindo 79,1%.
O Amazonas, embora inserido na mesma faixa de alerta do Acre, ainda ostenta um índice ligeiramente superior, com 45,27%. No topo do levantamento do IBGE, o Mato Grosso do Sul lidera isolado com 92,49% das vias públicas arborizadas, seguido pelo Distrito Federal (84,88%) e pelo Paraná (83,06%).
Mapeamento completo da arborização no Brasil
O cruzamento de dados feito pelo IBGE revela que a falta de infraestrutura verde nas ruas atinge de forma homogênea tanto estados com forte pressão demográfica no Nordeste quanto regiões de expansão urbana recente na Amazônia.
Abaixo, veja a tabela completa com o desempenho de cada estado no quesito arborização de entorno:
| Classificação por Faixa | Estado / UF | Porcentagem (%) de Domicílios |
| Verde Escuro (80,1% ou mais) |
Mato Grosso do Sul (MS)
Distrito Federal (DF)
Paraná (PR)
Goiás (GO)
Mato Grosso (MT) |
92,49%
84,88%
83,06%
82,15%
80,87% |
| Verde Claro (70,1% a 80%) |
Tocantins (TO)
Rondônia (RO)
Rio Grande do Sul (RS)
São Paulo (SP) |
79,10%
78,95%
77,15%
74,93% |
| Amarelo / Laranja (60,1% a 70%) |
Ceará (CE)
Piauí (PI)
Rio Grande do Norte (RN)
Paraíba (PB)
Minas Gerais (MG)
Rio de Janeiro (RJ)
Amapá (AP) |
68,95%
66,80%
66,07%
64,74%
64,49%
62,65%
60,80% |
| Marrom Claro (50,1% a 60%) |
Espírito Santo (ES)
Maranhão (MA)
Pará (PA)
Roraima (RR) |
56,10%
52,16%
52,09%
51,32% |
| Marrom Escuro (Até 50%) |
Pernambuco (PE)
Bahia (BA)
Alagoas (AL)
Amazonas (AM)
Acre (AC)
Santa Catarina (SC)
Sergipe (SE) |
49,07%
48,39%
45,78%
45,27%
42,40%
41,27%
38,71% |
Segundo urbanistas e engenheiros florestais, a baixa taxa de arborização em perímetros urbanos no Acre —mesmo o estado estando inserido na floresta amazônica— evidencia a falta de políticas continuadas de paisagismo e calçamento ecológico nos municípios. O deficit afeta diretamente a qualidade de vida, uma vez que a ausência de árvores nas ruas agrava o efeito das chamadas “ilhas de calor”, reduz o conforto térmico da população sob temperaturas elevadas e dificulta a drenagem natural das águas da chuva.
