O Acre aparece com expectativa de vida de 73,91 anos em um levantamento nacional que expõe as desigualdades na longevidade da população brasileira. Os dados fazem parte de um estudo do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) em parceria com o Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (Cedeplar/UFMG).
O índice divulgado para o Acre considera homens brancos e coloca o estado na 16ª posição entre as unidades federativas brasileiras no ranking nacional de expectativa de vida.
O estudo mostra que a diferença na longevidade entre grupos populacionais do país pode ultrapassar 14 anos. Enquanto mulheres brancas de Santa Catarina possuem expectativa média de vida de 80,9 anos, homens negros de Alagoas vivem, em média, 66,7 anos.
Segundo os pesquisadores, gênero, raça, violência e local de moradia influenciam diretamente quanto tempo os brasileiros vivem.
As desigualdades entre homens e mulheres representam mais da metade da diferença observada na expectativa de vida nacional, correspondendo a 56% do intervalo. Já as desigualdades raciais respondem por 23%, enquanto fatores regionais representam 21%.
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O levantamento aponta ainda que estados das regiões Norte e Nordeste enfrentam desafios maiores relacionados à infraestrutura, saneamento básico, acesso à saúde e atendimento médico especializado, fatores que impactam diretamente os índices de mortalidade.
No caso dos homens negros, a violência aparece como um dos fatores mais determinantes para a redução da expectativa de vida. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que a maioria das vítimas de homicídios no país é formada por homens jovens e negros.
A pesquisa destaca que, se as mortes violentas fossem reduzidas, a diferença de expectativa de vida entre homens negros e brancos poderia diminuir em até três anos.
Apesar das desigualdades nacionais, o Acre aparece em posição intermediária no ranking brasileiro de longevidade, ficando à frente de estados como Pará, Amazonas, Pernambuco e Mato Grosso.
Santa Catarina lidera a lista nacional com expectativa de vida de 75,78 anos entre homens brancos, enquanto Alagoas registra o menor índice, com 71,53 anos.
O levantamento foi elaborado a partir do cruzamento de dados do IBGE, Sistema Único de Saúde (SUS) e Atlas do Desenvolvimento Humano, utilizando metodologia de estimação indireta para medir a expectativa de vida de diferentes grupos populacionais brasileiros.



