Acre tem um dos menores índices de população em situação de rua do país

Relatório da UFMG baseado no CadÚnico coloca estado entre as cinco menores populações nessa condição

Por Fhagner Soares, ContilNet 08/06/2026 às 13:20
Procedimento administrativo é coordenado pelo promotor de Justiça Thalles Ferreira Costa / Foto: Reprodução

O Acre figura entre as cinco unidades da federação com os menores contingentes de pessoas em situação de rua no Brasil. A constatação consta em um mapeamento demográfico estruturado pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua), braço de pesquisa social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O diagnóstico toma como base os registros atualizados do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) do governo federal.

O relatório aponta que o Brasil alcançou a marca histórica de 388.855 indivíduos vivendo nas ruas em maio de 2026. Apesar da escalada do indicador em termos nacionais, a realidade geográfica e demográfica do Acre mantém o estado posicionado no bloco de indicadores menos alarmantes do país. A distribuição do índice epidemiológico-social coloca o território acreano no mesmo patamar de controle verificado em estados como Amapá, Tocantins, Rondônia e Piauí.

Os dados tabulados pelos pesquisadores da UFMG escancaram uma severa desigualdade na distribuição geográfica do fenômeno da vulnerabilidade social urbana. A região Sudeste funciona como o grande polo de concentração desse público, abrigando seis em cada dez brasileiros que dormem nas ruas.

O estado de São Paulo desponta isolado na liderança do ranking nacional, contabilizando 159.290 registros oficiais —o que equivale a cerca de 40% de toda a população de rua do país. O topo da lista de densidade populacional é completado pelo Rio de Janeiro, com 35.406 pessoas, e por Minas Gerais, com 34.849 cadastros ativos.

A série histórica revela um processo de favelização e degradação socioeconômica acelerado nos grandes centros urbanos entre os anos de 2020 e 2025:

  • São Paulo: A base de registros saltou de 83.074 para mais de 150 mil pessoas;

  • Rio de Janeiro: O total de vulneráveis subiu de 23.433 para 33.656 indivíduos;

  • Minas Gerais: O contingente mais que dobrou, saindo de 14.304 para 33.139.

Se por um lado o Acre consegue manter suas taxas de população de rua em patamares residuais, a região Norte enfrenta uma crise humanitária aguda concentrada em Roraima. Impulsionado pelo fluxo migratório transfronteiriço e pela fragilidade das políticas de acolhimento na Amazônia Setentrional, o estado roraimense viu sua população de rua saltar de 2.537 pessoas para 10.520 no recorte temporal analisado.

O epicentro dessa explosão estatística concentra-se na capital, Boa Vista, cujos cadastros no CadÚnico passaram de 2.484 para 10.497 cidadãos sem moradia.

O estudo da UFMG conclui indicando que as capitais estaduais absorvem quase a totalidade dos desabrigados de suas respectivas regiões. Em Fortaleza, por exemplo, concentram-se 11.349 das 14.171 pessoas em situação de rua de todo o Ceará. Na mesma linha, a cidade do Rio de Janeiro reúne, sozinha, quase 70% de todo o contingente fluminense cadastrado nas calçadas.

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