O Acre figura entre as cinco unidades da federação com os menores contingentes de pessoas em situação de rua no Brasil. A constatação consta em um mapeamento demográfico estruturado pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua), braço de pesquisa social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O diagnóstico toma como base os registros atualizados do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) do governo federal.
O relatório aponta que o Brasil alcançou a marca histórica de 388.855 indivíduos vivendo nas ruas em maio de 2026. Apesar da escalada do indicador em termos nacionais, a realidade geográfica e demográfica do Acre mantém o estado posicionado no bloco de indicadores menos alarmantes do país. A distribuição do índice epidemiológico-social coloca o território acreano no mesmo patamar de controle verificado em estados como Amapá, Tocantins, Rondônia e Piauí.
Os dados tabulados pelos pesquisadores da UFMG escancaram uma severa desigualdade na distribuição geográfica do fenômeno da vulnerabilidade social urbana. A região Sudeste funciona como o grande polo de concentração desse público, abrigando seis em cada dez brasileiros que dormem nas ruas.
O estado de São Paulo desponta isolado na liderança do ranking nacional, contabilizando 159.290 registros oficiais —o que equivale a cerca de 40% de toda a população de rua do país. O topo da lista de densidade populacional é completado pelo Rio de Janeiro, com 35.406 pessoas, e por Minas Gerais, com 34.849 cadastros ativos.
A série histórica revela um processo de favelização e degradação socioeconômica acelerado nos grandes centros urbanos entre os anos de 2020 e 2025:
-
São Paulo: A base de registros saltou de 83.074 para mais de 150 mil pessoas;
-
Rio de Janeiro: O total de vulneráveis subiu de 23.433 para 33.656 indivíduos;
-
Minas Gerais: O contingente mais que dobrou, saindo de 14.304 para 33.139.
Se por um lado o Acre consegue manter suas taxas de população de rua em patamares residuais, a região Norte enfrenta uma crise humanitária aguda concentrada em Roraima. Impulsionado pelo fluxo migratório transfronteiriço e pela fragilidade das políticas de acolhimento na Amazônia Setentrional, o estado roraimense viu sua população de rua saltar de 2.537 pessoas para 10.520 no recorte temporal analisado.
O epicentro dessa explosão estatística concentra-se na capital, Boa Vista, cujos cadastros no CadÚnico passaram de 2.484 para 10.497 cidadãos sem moradia.
O estudo da UFMG conclui indicando que as capitais estaduais absorvem quase a totalidade dos desabrigados de suas respectivas regiões. Em Fortaleza, por exemplo, concentram-se 11.349 das 14.171 pessoas em situação de rua de todo o Ceará. Na mesma linha, a cidade do Rio de Janeiro reúne, sozinha, quase 70% de todo o contingente fluminense cadastrado nas calçadas.
