O Acre, um dos estados mais atingidos pela crise hĂdrica que castiga os rios da AmazĂ´nia e tambĂ©m pelas queimadas, terá acesso a parte de R$ 514 milhões em crĂ©dito extra a ser anunciado ao longo do dia desta quarta-feira (18) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A liberação dos recursos aos estados atingidos pelos efeitos das mudanças climáticas e também por incêndios que o governo considera como criminosos e atos de terrorismo, foi definida em reunião de Lula com o ministro Luiz Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), e com o presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG, em reunião dos chefes dos Três Podres, na terça-feira à noite, no Palácio do Planalto.
AlĂ©m dos recursos, o Governo Federal anunciou tambĂ©m uma sĂ©rie de medidas para conter a emergĂŞncia climática que avança pelo paĂs, em razĂŁo do incremento no nĂşmero de focos de incĂŞndio e do avanço da seca pelo paĂs. Entre os anĂşncios feitos na reuniĂŁo está a liberação de crĂ©dito extraordinário de R$ 514 milhões.

Presidente se reuniu com autoridades e especialistas para discutir ações de enfrentamento às queimadas/Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente desistiu de fazer uma reuniĂŁo com os governadores para tratar das queimadas pelo paĂs. Segundo a CNN, o encontro será conduzido pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa.
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinará uma medida provisória (MP) ainda nesta quarta-feira para viabilizar o crédito extraordinário.
O montante será distribuĂdo em várias áreas do governo, mas que será remetido, prioritariamente, à área ambiental para o combate aos incĂŞndios. “O novo crĂ©dito deve ser feito a partir do diagnĂłstico das reuniões que faremos nos prĂłximos dias”, anunciou Rui Costa.
O governo ainda indicou medidas como a reestruturação da Defesa Civil Nacional, a elaboração de fundos para outros biomas e o endurecimento da legislação de combate a incêndios florestais. para que seja feito um diagnóstico da situação. Além disso, o governo anunciou que priorizará a reestruturação da Defesa Civil Nacional e a capacidade de reação dos bombeiros e das guardas municipais.

Foto: Carl de Souza/AFP
Rui Costa ainda afirmou que o governo discute a consolidação de fundos para outros biomas. “Há uma manifestação de outros paĂses e de doadores que gostariam de doar para alĂ©m da AmazĂ´nia, como o Cerrado e a Mata Atlântica”.
“Devemos estar publicando, nos próximos dias, uma revisão dos valores das sanções administrativas. Os valores não são atualizados desde 2017 e estão muito longe dos tetos máximos permitidos pela lei. Os valores são muito baixos e serão atualizados proporcionalmente ao tamanho do estrago”, anunciou.
Por fim, Rui Costa ainda afirmou que a Advocacia-Geral da União (AGU) discute propor um instrumento para equiparar a lei de crime de incêndio provocado (que tem pena de 3 a 6 anos) ao crime ambiental (2 a 4 anos). Além disso, são estudadas propostas de reorganização do Ministério do Meio Ambiente.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança Climática, Marina Silva, durante a reuniĂŁo, fez um panorama da situação do fogo no paĂs. Segundo a ministra, há, no momento, 690 incĂŞndios no Brasil. “Conseguimos já extinguir cerca de 290 incĂŞndios e conseguimos controlar 179 incĂŞndios, e nĂłs ainda estamos em combate em 108 incĂŞndios”, disse.
A ministra ainda destacou que cerca de 106 incêndios não têm combate ou porque estão em área remota ou por dificuldade de acesso com os equipamentos que se tem. Marina ainda anunciou que o presidente Lula pediu que se estudasse, em caráter de urgência, a criação de um Conselho Nacional de Segurança Climática.


