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Aleac vai investigar queda de ponte em Sena: “Erro de engenharia”, diz deputado

Por Everton Damasceno, ContilNet 08/07/2026 às 10:23
Em nota, empresa cita fenômeno na Amazônia para queda de ponte

Em nota, empresa citou fenômeno na Amazônia para queda de ponte | Foto: Gleison Junior/Orna Audiovisual

O presidente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), deputado Nicolau Júnior, assinou o requerimento que institui oficialmente a Comissão de Representação Externa para acompanhar as investigações sobre o desabamento da Ponte Padre Paolino Baldassari. O episódio ocorreu no último dia 5 de junho de 2026, em Sena Madureira.

A iniciativa do pedido foi do deputado Edvaldo Magalhães, motivada por fortes indícios de que o anteprojeto apresentado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre) não foi seguido pela empresa responsável pela execução da obra. A comissão já conta com seus membros definidos:

– Titulares: Deputado Nicolau Júnior, Deputado Tanizio Sá, Deputado Eduardo Ribeiro, Deputado Manoel Moraes e Deputado José Luis Tchê.
– Suplentes: Deputado André Vale, Deputado Pedro Longo, Deputado Tadeu Hassem, Deputado Gilberto Lira e Deputado Edvaldo Magalhães.

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Os bastidores e os próximos passos da investigação

Em entrevista ao ContilNet, o deputado Edvaldo Magalhães detalhou como será o rito de abertura dos trabalhos após o aval do presidente do parlamento.

“O próximo passo é a instalação formal da comissão. Tive hoje muito cedo despachando com o presidente Nicolau. Ele garantiu que fará a instalação da comissão hoje, inclusive é o nome dele indicado como membro da mesa diretora para presidir a comissão”, explicou o parlamentar.

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Magalhães ressaltou que, logo após esse primeiro ato de instalação, o colegiado começará a definir as funções internas e a traçar o cronograma oficial de apuração dos fatos.

O foco central da comissão será descobrir o que de fato causou a queda da estrutura | Foto: ContilNet

O foco central da comissão será descobrir o que de fato causou a queda da estrutura | Foto: ContilNet

“No ato da instalação, é designado um relator, escolhido também um vice-presidente, e também se inicia as conversas acerca de uma agenda da comissão. Eu farei, mesmo como suplente, não sendo membro titular, algumas sugestões de agenda. E a primeira delas, na minha opinião, deve ser uma ida da nossa comissão até o Tribunal de Contas, que tem adiantado várias ações, levantado várias informações que serão de utilidade pro trabalho da nossa comissão.”

Contraponto à tese de “terras caídas”

O foco central da comissão será descobrir o que de fato causou a queda da estrutura. Logo após o acidente, justificativas ligadas a fenômenos naturais foram levantadas, mas o deputado tratou de contextualizar a realidade geográfica da região.

“Olha, num primeiro momento, até pelo pronunciamento de dirigentes da própria empresa que fez a execução da obra, se fez referência a um fenômeno chamado ‘terras caídas’. Esse é um fenômeno que existe no Acre desde que o Acre existe. Aliás, desde que o Acre não era nem Acre, desde que o Acre era da Bolívia, que o fenômeno de terras caídas existe na Amazônia. Portanto, não é nenhuma novidade”, ponderou Edvaldo.

Contudo, Magalhães revelou que os dados técnicos iniciais coletados mudam completamente a linha de investigação, descartando a tese de acidente natural e apontando para responsabilidade humana.

“Agora, pelos levantamentos iniciais de forma extraoficial que nós já recebemos, não houve o fenômeno de terras caídas. A ponte caiu, então, sem ter o fenômeno. É mais grave ainda a situação, apontando para um erro construtivo, apontando para problemas de engenharia e apontando para o cometimento de um crime.”

O papel do Parlamento

Por fim, o deputado reforçou que a intenção da Aleac não é atropelar as funções dos órgãos técnicos de perícia, mas sim garantir que o poder público dê uma resposta transparente e célere à sociedade acreana sobre o dinheiro investido na obra.

“Isso é muito grave, não pode cair no esquecimento e é preciso que a Assembleia tenha um acompanhamento de perto. Nós não queremos substituir o trabalho de peritos, substituir o trabalho das análises de engenharia, absolutamente. Mas o acompanhamento político para ter respostas a todas as perguntas que estão até esse momento sem resposta é obrigação do Parlamento como fiscal do orçamento público”, concluiu.

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