O desabamento da ponte Padre Paolino Baldassari reacendeu o debate sobre os desafios da engenharia civil na Amazônia, especialmente no que diz respeito à instabilidade das margens dos rios. Questionado sobre qual tecnologia poderia ser empregada no futuro para barrar o fenômeno de movimentação de terra na reconstrução da estrutura, o empresário Raul Santos, sócio da Construtora Cidade, admitiu que não existe uma resposta simples para o problema.
De acordo com o empreiteiro, conter a movimentação de massa que desestabilizou a ponte é um dos maiores gargalos técnicos da atualidade.
“Não, não, é um problema de difícil solução, é de alta complexidade. Existem outras obras que sofreram problemas similares a esse”, explicou Raul Santos.
Paralelo com outras obras na Amazônia
Para ilustrar o tamanho do desafio, o empresário citou que o colapso estrutural causado pelo solo não é um caso isolado de Sena Madureira, mencionando incidentes parecidos ocorridos em rodovias federais vizinhas.
“Houve obras na BR-319, no Amazonas, onde duas pontes também sofreram o mesmo tipo de problema”, comparou o construtor, reforçando que a instabilidade geológica da região frequentemente desafia os limites da engenharia tradicional.
Ao fundo, membros da comitiva técnica também lembraram a situação do Mercado Público local, que atualmente passa por intervenções na tentativa de conter a barranca do rio e proteger a passarela.
O posicionamento da empresa indica que qualquer plano de reconstrução ou de novas obras no município demandará estudos geológicos muito mais profundos do que os previstos pelas normas vigentes, uma vez que as soluções convencionais têm se mostrado insuficientes diante do comportamento do solo acreano.
