Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) e um procurador do Ministério Público do Acre (MPAC) divulgaram uma nota pública em defesa da acreana e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, após críticas feitas pelo deputado federal Nikolas Ferreira durante agenda política no Acre nesta semana.
SAIBA MAIS: “Já conheço mais o Acre do que Marina Silva”, diz Nikolas durante evento
Assinam o documento a presidente do TCE-AC, Dulcinéa Benício, além dos conselheiros Naluh Gouveia e Ronald Polanco, e o procurador do MPAC Sammy Barbosa.
Na nota, os signatários manifestam “solidariedade e apoio à trajetória pública da acreana Marina Silva” e afirmam que os ataques dirigidos à ministra representam “ódio, desrespeito pessoal e campanhas de desqualificação promovidas por agentes políticos que transformam a intolerância em instrumento de projeção pública”.
O grupo também destacou a trajetória da ministra acreana, classificando-a como “uma das trajetórias públicas mais extraordinárias da vida brasileira contemporânea”.
“Filha do seringal, alfabetizada tardiamente, sobrevivente da pobreza, da exclusão social e da doença, construiu uma das trajetórias públicas mais extraordinárias da vida brasileira contemporânea”, diz trecho da manifestação.
Os conselheiros e o procurador ainda afirmam que Marina Silva alcançou reconhecimento internacional “sem jamais renunciar às suas convicções”, tornando-se referência mundial na defesa do meio ambiente, da justiça social e do desenvolvimento sustentável.
A nota foi divulgada após declarações de Nikolas Ferreira durante eventos políticos no Acre. Em uma das falas, o deputado afirmou: “Uma coisa é fato: eu já conheço mais do Acre do que a Marina Silva”.
Em outro momento, Nikolas declarou que Marina “não tem coragem de andar aqui” ao criticar a atuação política e ambiental da ministra no estado.
Durante a agenda no interior acreano, o parlamentar também atacou órgãos ambientais e afirmou que moradores de reservas extrativistas vivem como “escravos da própria reserva deles”.
Na nota pública, os signatários afirmam que “a agressividade, o deboche e a disseminação do ódio não contribuem para o debate público” e ressaltam que o Acre “não pode se orgulhar de incentivar a violência verbal contra uma mulher cuja trajetória honra o nosso estado perante o Brasil e o mundo”.
Outro trecho do documento diz causar “perplexidade” o fato de os ataques partirem de alguém que “professa a mesma fé cristã evangélica de Marina Silva”.
“Espera-se, entre irmãos de fé, ao menos respeito”, pontua a nota.
Ao final, os autores reafirmam respeito à ministra e defendem que o povo acreano “sabe distinguir quem construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com causas sociais e humanas, daqueles que apenas produzem ruído, conflito e radicalização para alimentar projetos pessoais de poder”.
VEJA A NOTA NA ÍNTEGRA:
NOTA PÚBLICA


