Bebê do Acre com malformação cardíaca é levada para São Paulo

Ana Maria da Silva, de 12 dias, foi levada a centro de referência nacional em São José do Rio Preto

Por Fhagner Soares, ContilNet 07/06/2026 às 13:29
Bebê de 12 dias com problema grave no coração é transferida do Acre para SP/ Foto: José Caminha/Secom

Uma operação de emergência mobilizou equipes de saúde do Acre para garantir a sobrevivência de uma recém-nascida de apenas 12 dias de vida. A pequena Ana Maria da Silva, diagnosticada com uma cardiopatia congênita complexa, foi transferida na noite do último sábado (6) em uma UTI aérea de Rio Branco para São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. A bebê passará por uma cirurgia cardíaca de alta complexidade com circulação extracorpórea, procedimento que ainda não é realizado na rede de saúde acreana.

Natural de Sena Madureira, no interior do estado, a recém-nascida deu entrada inicialmente na Maternidade Bárbara Heliodora, na capital, após apresentar os primeiros sintomas da malformação. A transferência interestadual foi viabilizada pelo programa de Tratamento Fora de Domicílio (TFD), braço logístico da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), em articulação com o Sistema Nacional de Alta Complexidade.

Ana Maria da Silva foi diagnosticada com malformação complexa/ Foto: José Caminha/Secom

A vaga foi obtida no Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto, na unidade CardioPedBrasil (Centro do Coração da Criança), instituição que é referência em cardiologia pediátrica na América Latina. O voo de suporte intensivo foi acompanhado por uma equipe médica especializada e pelo pai da criança, o pedreiro Roberto Pereira da Silva.

De acordo com a médica pediatra e neonatologista Maria do Socorro Avelino, coordenadora da Unidade Neonatal da Maternidade Bárbara Heliodora, Ana Maria chegou a Rio Branco com suspeita clínica da anomalia.

“Quando o diagnóstico acontece após o nascimento, existe todo um trabalho de estabilização. Precisamos manter a criança nas melhores condições possíveis para que ela consiga viajar e suportar uma cirurgia de grande porte. É uma luta constante para preservar a vida até que a vaga seja confirmada”, explicou a médica.

O médico cardiologista e intensivista pediátrico Ricardo Batista Ribera ressaltou que a agilidade na resposta e o trabalho multiprofissional foram determinantes para o sucesso do deslocamento. A unidade paulista que recebeu a paciente é coordenada pelo médico Ulysses Protte, conhecido por cooperar no atendimento a crianças de regiões remotas do país.

Cirurgia com circulação extracorpórea será feita no interior paulista/ Foto: José Caminha/Secom

“Trata-se de uma paciente com uma cardiopatia congênita, uma doença grave que necessita de cirurgia imediata para que a criança possa sobreviver. Essas transferências dependem de muitos profissionais. Existe toda uma cadeia de assistência que precisa ser valorizada”, afirmou Ribera.

O pai da bebê foi o primeiro a notar que algo estava errado durante o banho da filha, quando ela apresentou episódios de cianose (coloração arroxeada na pele devido à falta de oxigenação).

“Ela foi tomar banho e começou a ficar roxinha, sem aguentar. Aí eu trouxe ela imediatamente. Vim sozinho, confiando primeiramente em Deus. Eu agradeço muito a Deus e a essa grande família aqui que me ajudou”, relatou Roberto da Silva antes do embarque.

A mãe da recém-nascida permaneceu no Acre para cuidar dos outros filhos do casal. Recentemente, a regulação estadual já havia efetuado o envio de outro recém-nascido para tratamento cardiológico em São Paulo, evidenciando a demanda contínua por suporte fora do domicílio na região amazônica.

Especialistas destacam que diagnóstico precoce no pré-natal evita riscos e que o útero materno é o transporte ideal para cardiopatas/ Foto: José Caminha/Secom

A equipe médica da Maternidade Bárbara Heliodora aproveitou o caso para emitir um alerta sobre a necessidade de qualificação do acompanhamento gestacional na rede pública de saúde. A identificação de cardiopatias congênitas ainda na fase intrauterina reduz drasticamente os riscos de mortalidade neonatal, pois permite que o parto seja planejado diretamente em hospitais dotados de centros cirúrgicos especializados.

“O diagnóstico ainda durante a gestação é sempre o melhor cenário. O melhor transporte para um bebê nessas condições continua sendo o útero materno. Quando conseguimos identificar o problema antes do nascimento, temos mais possibilidades de planejamento e assistência”, defendeu a médica Maria do Socorro Avelino.

O Ministério da Saúde preconiza que o acompanhamento pré-natal deve ser iniciado imediatamente após a descoberta ou suspeita da gravidez. O cronograma padrão estabelece consultas mensais até a 28ª semana de gestação, quinzenais da 28ª à 36ª semana, e semanais a partir desse período até o momento do parto. O procedimento tem impacto direto na redução dos índices de mortalidade materna e infantil.

Para iniciar as consultas de pré-natal pelo Sistema Único de Saúde (SUS), as gestantes devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência portando os seguintes documentos:

  • Documento de identidade oficial com foto (RG ou CNH);

  • Cadastro de Pessoas Físicas (CPF);

  • Cartão Nacional de Saúde (Cartão SUS);

  • Comprovante de residência atualizado;

  • Resultado do teste de gravidez laboratorial (Beta HCG) ou de farmácia, caso já possua.

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