A crise polĂtica na BolĂvia ficou ainda mais tensa apĂłs a Câmara dos Deputados aprovar uma nova lei que amplia o poder das Forças Armadas em situações de conflito interno. A medida foi votada na noite desta terça-feira (26) e permite que o governo tenha mais facilidade para decretar estado de sĂtio diante dos protestos que tomam conta do paĂs.
A decisĂŁo acontece em meio a manifestações intensas contra o presidente Rodrigo Paz. Há quase um mĂŞs, grupos ligados a sindicatos, movimentos indĂgenas e apoiadores do ex-presidente Evo Morales realizam bloqueios em estradas e protestos em várias cidades bolivianas.
Os atos já causam falta de alimentos, combustĂveis e medicamentos em regiões importantes do paĂs, principalmente na capital La Paz. Outras cidades tambĂ©m enfrentam dificuldades por causa das interrupções nas estradas.
A nova lei revoga uma regra criada em 2020 que dificultava a presença do Exército nas ruas durante crises internas. Com a mudança, o governo passa a ter mais liberdade para usar militares em ações de controle dos protestos.
O deputado Carlos AlarcĂłn, autor da proposta, afirmou que a medida serve para impedir situações de “caos e anarquia”. Já parlamentares da oposição criticaram a decisĂŁo e disseram que ela pode aumentar a violĂŞncia no paĂs.
A votação ocorreu de forma virtual porque muitos deputados não conseguiram chegar ao Congresso devido aos bloqueios nas estradas. Antes da Câmara, o Senado boliviano já havia aprovado a mudança no último domingo.
Mesmo com a aprovação da lei, especialistas afirmam que isso nĂŁo significa que o estado de sĂtio será decretado imediatamente. Segundo analistas polĂticos, o governo deve tentar continuar negociando antes de tomar medidas mais duras.
Enquanto isso, manifestantes prometem manter a pressĂŁo e seguem pedindo a saĂda do presidente. Em vários protestos, houve confronto entre policiais e manifestantes, com uso de gás lacrimogĂŞneo e objetos arremessados nas ruas.
O governo afirma que quer diálogo, mas exige o fim dos bloqueios para iniciar negociações. Já os lĂderes dos protestos dizem que continuarĂŁo mobilizados atĂ© que suas reivindicações sejam atendidas.


