Bolívia muda lei de 2020 e libera Forças Armadas para conter protestos

Os atos já causam falta de alimentos, combustíveis e medicamentos em regiões importantes do país

Por Suene Almeida, ContilNet 27/05/2026 Ă s 10:48
Com estradas bloqueadas, BolĂ­via muda lei para conter caos e protestos | Foto: Alexis Gomez/NurPhoto via Getty Images

A crise política na Bolívia ficou ainda mais tensa após a Câmara dos Deputados aprovar uma nova lei que amplia o poder das Forças Armadas em situações de conflito interno. A medida foi votada na noite desta terça-feira (26) e permite que o governo tenha mais facilidade para decretar estado de sítio diante dos protestos que tomam conta do país.

A decisão acontece em meio a manifestações intensas contra o presidente Rodrigo Paz. Há quase um mês, grupos ligados a sindicatos, movimentos indígenas e apoiadores do ex-presidente Evo Morales realizam bloqueios em estradas e protestos em várias cidades bolivianas.

Os atos já causam falta de alimentos, combustíveis e medicamentos em regiões importantes do país, principalmente na capital La Paz. Outras cidades também enfrentam dificuldades por causa das interrupções nas estradas.

A nova lei revoga uma regra criada em 2020 que dificultava a presença do Exército nas ruas durante crises internas. Com a mudança, o governo passa a ter mais liberdade para usar militares em ações de controle dos protestos.

O deputado Carlos Alarcón, autor da proposta, afirmou que a medida serve para impedir situações de “caos e anarquia”. Já parlamentares da oposição criticaram a decisão e disseram que ela pode aumentar a violência no país.

A votação ocorreu de forma virtual porque muitos deputados não conseguiram chegar ao Congresso devido aos bloqueios nas estradas. Antes da Câmara, o Senado boliviano já havia aprovado a mudança no último domingo.

Mesmo com a aprovação da lei, especialistas afirmam que isso não significa que o estado de sítio será decretado imediatamente. Segundo analistas políticos, o governo deve tentar continuar negociando antes de tomar medidas mais duras.

Enquanto isso, manifestantes prometem manter a pressão e seguem pedindo a saída do presidente. Em vários protestos, houve confronto entre policiais e manifestantes, com uso de gás lacrimogêneo e objetos arremessados nas ruas.

O governo afirma que quer diálogo, mas exige o fim dos bloqueios para iniciar negociações. Já os líderes dos protestos dizem que continuarão mobilizados até que suas reivindicações sejam atendidas.

ConteĂşdo Original / Fonte: Suene Almeida, ContilNet

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