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Calixto repudia áudio de diretor do Deracre após protesto na Aleac

Por Everton Damasceno, ContilNet 07/07/2026 às 10:51
Calixto não poupou críticas à postura interna do Deracre

Calixto não poupou críticas à postura interna do Deracre | Foto: ContilNet

O clima pesou nos bastidores políticos do Acre nesta terça-feira (7). A Assembleia Legislativa (Aleac) foi palco de uma mobilização de produtores rurais que cobram um cronograma de obras do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre). O estopim para o protesto foi o vazamento de um áudio atribuído a um dos diretores da autarquia, afirmando que o órgão estaria sem recursos e retirando as máquinas dos ramais.

A reação do Palácio Rio Branco foi imediata. Em entrevista ao ContilNet, o secretário de Governo, Luiz Calixto, classificou a atitude do diretor do Deracre como “precipitada” e afirmou que a fala gerou um pânico desnecessário na comunidade agrícola.

“Eu acredito que tenha sido uma precipitação de um gestor público, de um diretor de um órgão, espalhar um áudio com esse conteúdo para espalhar também o pânico e a inquietude junto aos produtores. […] O fato é que espalhou-se a desinformação”, desabafou Calixto.

Governo garante R$ 15 milhões em caixa

Para acalmar os ânimos e desmentir a tese de falência do setor de infraestrutura, o secretário de Governo revelou que a Secretaria de Planejamento (Seplan) já possui uma dotação orçamentária inicial assegurada para a manutenção dos trabalhos no campo.

“A informação que eu tenho da Secretaria de Planejamento é que nós temos inicialmente uma dotação orçamentária de R$ 15 milhões para o pagamento de aluguéis para a recuperação e manutenção de equipamentos”, garantiu o secretário, contestando a informação de que as máquinas seriam recolhidas por falta de verba.

Calixto não poupou críticas à postura interna do Deracre e sugeriu que o erro do gestor fez com que o próprio governo criasse um problema para si: “Essas coisas a gente discute internamente, a gente discute na gestão. […] É reprovável, eu não concordo com isso. Se há problemas internos, que se resolvam internamente e não externando informações que não são verdadeiras”.

Produtores rurais cobram calendário oficial

Antes do posicionamento do governo, as galerias da Aleac foram ocupadas por lideranças rurais preocupadas com o impacto do último inverno amazônico, que destruiu pontes e deixou ramais intrafegáveis. Segundo Geraldo Pereira, representante dos produtores, o objetivo da ida ao parlamento não era criar novos gastos para o Estado, mas exigir transparência.

“Nós estamos aqui pedindo para o Governo do Estado que o Deracre divulgue o calendário das obras, quais ramais, quais estradas vão receber os benefícios”, explicou Pereira. A intenção do setor é usar o cronograma oficial para cobrar das prefeituras do interior a manutenção das estradas vicinais que não ficarem sob a responsabilidade do Estado.

O drama relatado pelos produtores vai além do escoamento da produção agrícola. De acordo com os relatos levados aos deputados estaduais, a intrafegabilidade das vias já provocou o fechamento de diversas escolas na zona rural do Acre por falta de transporte escolar.

Com a garantia dos R$ 15 milhões anunciada por Luiz Calixto, a expectativa agora é que o Deracre formalize o cronograma de atendimento aos municípios e acelere o envio das máquinas para evitar que o setor produtivo e a educação voltem a ficar isolados no próximo período de chuvas.

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