O vereador Zé Lopes afirmou, durante sessão da Câmara Municipal de Rio Branco nesta terça-feira (28), que teve negado um requerimento em que solicitava acesso às comunicações trocadas entre a empresa Ricco Transportes e a Prefeitura de Rio Branco. Segundo o parlamentar, a administração municipal alegou necessidade de resguardar informações protegidas por sigilo e a complexidade do levantamento dos documentos.
O pedido, conforme explicou, buscava reunir mensagens e registros de comunicação entre a Prefeitura, a RB Trans, a Ricco Transportes e a Casa Civil. Zé Lopes disse que decidiu protocolar o requerimento após receber denúncias, em março deste ano, de que funcionários da RB Trans que se recusavam a atender interesses da empresa estariam sendo prejudicados internamente.
Durante o discurso, o vereador criticou a permanência da Ricco no sistema de transporte coletivo da capital e afirmou que a empresa opera há quatro anos por meio de contrato provisório que, segundo ele, deveria durar apenas seis meses.
“A Prefeitura de Rio Branco nega um requerimento de informações baseado na Lei da Transparência. Dizem que o levantamento é amplo e complexo e que pode haver informações sigilosas. Isso não existe”, declarou.
Ainda segundo o parlamentar, a negativa compromete o papel fiscalizador da Câmara Municipal.
“Se o dever da Câmara é fiscalizar a Prefeitura e os contratos, como é que se negam a mandar informação para esta Casa?”, questionou.
A prefeitura teria negado justificando o sigilo legal que se baseia o contrato firmado com a empresa.
Representação no Ministério Público
Zé Lopes anunciou que irá protocolar uma representação no Ministério Público para tentar obrigar a Prefeitura a fornecer os documentos solicitados.
“Vamos hoje à tarde protocolar mais uma representação no Ministério Público para que a Prefeitura forneça todas as informações desse contrato”, afirmou.
O vereador tambĂ©m voltou a fazer duras crĂticas Ă atuação da Ricco, citando atrasos, acidentes, problemas trabalhistas e falhas na prestação do serviço.
O que diz a prefeitura?
No documento, assinado pelo secretário de Assuntos JurĂdicos da gestĂŁo, Jorge Eduardo Bezerra, e pelo prefeito Alysson Bestene, obtido pelo ContilNet, a prefeitura justifica o fato de ter negado o requerimento. A principal linha defendida pela gestĂŁo Ă© de que o pedido, alĂ©m de ser baseado em ‘caráter genĂ©rico’, vai contra o sigilo previsto pela legislação.
“O atendimento integral da demanda implicaria levantamento documental amplo e complexo; análise individualizada de documentos ao longo de extenso perĂodo temporal; triagem tĂ©cnica para identificação de informações eventualmente protegidas por sigilo legal; e potencial comprometimento da eficiĂŞncia administrativa”, diz um trecho do despacho.
“Parte das comunicações solicitadas pode conter informações de natureza sensĂvel, tais como dados comerciais, estratĂ©gicos ou econĂ´mico-financeiros da concessionária do serviço pĂşblico, cuja divulgação irrestrita encontra limitação legal”, seguiu.
A prefeitura vai alĂ©m e diz que ” o indeferimento do pedido […] nĂŁo implica negativa de transparĂŞncia, mas sim adequação do exercĂcio do direito de acesso Ă informação aos parâmetros legais e principiolĂłgicos que regem a Administração PĂşblica”.
Crise no transporte coletivo
A declaração ocorre em meio à recente crise no transporte público de Rio Branco. Na última semana, motoristas da Ricco paralisaram as atividades, provocando colapso no sistema da capital.
Diante da situação, a Prefeitura decretou estado de emergência no transporte coletivo por 60 dias. Em entrevista ao ContilNet, o prefeito Alysson Bestene afirmou que a gestão já avalia alternativas para o setor, incluindo a possibilidade de lançar um edital emergencial para atrair novas empresas.


