Criança com sintoma gripal pode ir à aula? Médica orienta pais no Acre

Os cuidados devem ser ainda maiores quando se trata de bebês com até 2 anos

Por Maria Fernanda Arival, ContilNet 05/06/2026 às 09:15
Crianças seguem liderando os casos de SRAG no Acre. — Foto: Reprodução

Com alta nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e situação de emergência em saúde por superlotação de leitos hospitalares decretada pelo governo do Acre, muitas dúvidas surgem sobre até quando as crianças com sintomas gripais podem continuar frequentando a escola.

De acordo com a pediatra Kelly Bestene, a escola é um ambiente de convivência e interação, o que favorece a disseminação de vírus respiratórios. Por isso, também, é comum quadros leves na infância.

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“Nem todo sintoma respiratório exige afastamento imediato. Muitas crianças apresentam apenas uma coriza leve ou uma tosse residual e continuam ativas, alimentando-se normalmente e sem comprometimento do estado geral. Nesses casos, é possível avaliar a permanência na escola. O que precisa ser observado é se a criança está realmente em condições de participar das atividades e se há risco de transmissão ou agravamento do quadro”, orienta.

Atenção especial até dois anos

Os cuidados devem ser ainda maiores quando se trata de bebês com até 2 anos. Nessa faixa etária, os quadros respiratórios podem evoluir mais rápido e aumentar o risco de complicações, como bronquiolite, pneumonias e desidratação.

Os pais devem observar atentamente sinais como diminuição das mamadas, redução da aceitação de líquidos, chiado no peito, esforço para respirar, gemência, sonolência excessiva e diminuição da quantidade de urina, percebida pela redução do número de fraldas molhadas.

Quando a criança não deve ir à escola?

De acordo com a médica, a recomendação é que a criança permaneça em casa quando apresentar febre alta, dificuldade respiratória, respiração acelerada, tosse intensa que impeça as atividades habituais, mal-estar importante, episódios frequentes de vômitos ou diarreias.

O afastamento também é necessário nos casos de doenças transmissíveis, como influenza, Covid-19, catapora e outras infecções que podem se espalhar rapidamente no ambiente escolar.

A pediatra ressalta que quando uma criança está doente, geralmente ela não consegue aproveitar as atividades da escola e precisa de repouso, hidratação e acompanhamento dos responsáveis.

“Quando a criança está abatida, sonolenta, sem disposição para brincar ou participar das atividades normais da rotina, isso já é um indicativo importante de que ela precisa permanecer em casa e ser observada mais de perto”, explica.

Kelly Bestene é médica pós-graduada em Pediatria Geral e atende os pacientes que passam por internação no Pronto Socorro de Rio Branco/Foto: cedida

Um dos principais erros cometidos pelas famílias, de acordo com a especialista, é considerar apenas a presença ou ausência de febre para decidir se a criança pode ir à escola. A avaliação deve ser mais ampla e incluir aspectos como disposição, alimentação, hidratação e comportamento.

Retorno seguro

O retorno às atividades escolares deve acontecer quando a recuperação da criança estiver consolidada.

A criança pode voltar às atividades quando estiver sem febre há pelo menos 24 horas, sem uso de medicamentos antitérmicos, alimentando-se normalmente, hidratada e apresentando disposição compatível com sua rotina habitual, de acordo com a pediatra.

Nos casos de vômitos e diarreia, a orientação é aguardar pelo menos 24 horas após o último episódio antes do retorno. Já em situações de síndromes gripais, o mais importante é observar a melhora significativa dos sintomas respiratórios e a recuperação do estado geral.

“Levar uma criança doente para a escola pode parecer uma decisão simples diante da rotina corrida das famílias, mas tem impacto coletivo. Quando respeitamos o tempo de recuperação, protegemos aquela criança, evitamos a transmissão para outras pessoas e contribuímos para um ambiente escolar mais saudável para todos”, conclui Kelly Bestene.

Sinais de alerta

Independentemente da idade da criança, alguns sintomas são considerados sinais de gravidade e demandam busca imediata por atendimento médico, como:

  • dificuldade para respirar
  • respiração muito rápida
  • lábios ou extremidades arroxeados
  • convulsões
  • sonolência excessiva
  • dificuldade para acordar
  • recusa persistente de líquidos
  • sinais de desidratação e piora importante do estado geral.

A febre em bebês menores de três meses também exige avaliação médica urgente.

Conteúdo Original / Fonte: Agência de Notícias do Acre

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