A crise financeira enfrentada pelas instituições mantidas pela Diocese de Rio Branco chegou a um ponto em que foi necessário buscar empréstimos para garantir a continuidade dos serviços prestados à população. A informação foi divulgada nesta terça-feira (23), durante uma coletiva de imprensa realizada na Catedral Nossa Senhora de Nazaré.
Segundo a Diocese, a medida foi adotada diante dos atrasos nos repasses que deveriam ser feitos pelo governo do Acre ao Hospital Santa Juliana e à Casa de Acolhida Souza Araújo.
De acordo com o coordenador da Cúria Diocesana, padre Macoy Soares, os empréstimos têm sido fundamentais para evitar a interrupção dos atendimentos e manter os compromissos financeiros das unidades.
“Em nenhum momento a Diocese, ou as obras sociais, deixaram de pagar seus fornecedores, de modo especial os fornecedores, mas falta muitos insumos”, explicou.
A situação ganhou destaque após a Diocese divulgar uma nota pública, na segunda-feira (22), alertando para as dificuldades enfrentadas pelas duas instituições, que realizam atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e são referência em diversas áreas da saúde no Acre.

Os empréstimos têm sido fundamentais para evitar a interrupção dos atendimentos | Foto: Reprodução
Embora os serviços continuem funcionando, os reflexos da falta de recursos já são sentidos no dia a dia do Hospital Santa Juliana. O diretor da unidade, Marcos Paulo, afirmou que a compra de materiais essenciais para procedimentos médicos tem sido um dos maiores desafios.
“Nossas dificuldades hoje são a aquisição dos insumos para realizar as cirurgias cardíacas, mas nenhum serviço está paralisado. Estamos trabalhando de forma precária por não ter todos os insumos, pode ser que o médico precise de algum material e não tenha”, enfatizou.
O Hospital Santa Juliana é referência em cirurgias cardíacas no estado, e a escassez de materiais preocupa a direção da unidade. Apesar das dificuldades, a instituição garante que os atendimentos continuam sendo realizados enquanto busca alternativas para manter o funcionamento dos serviços.
Em nota, a Sesacre informou que os valores mencionados recentemente envolvem processos administrativos distintos, incluindo repasses em tramitação regular e procedimentos que ainda dependem da conclusão das etapas legais exigidas pela administração pública.
De acordo com a secretaria, somente em 2026 o Hospital Santa Juliana recebeu mais de R$ 50 milhões em recursos repassados pelo governo do Estado. A Sesacre informou ainda que o valor referente à competência de maio, de R$ 10,3 milhões, segue em análise técnica e fiscalização do convênio, etapa necessária para conferência dos serviços prestados e posterior liquidação da despesa.



