Doença mortal pode voltar ao Acre, alerta Sesacre após baixa vacinação

Boletim da Sesacre aponta que os únicos dois casos confirmados no estado terminaram em morte e destaca baixa vacinação

Por Matheus Mello, ContilNet 12/05/2026 às 06:00 Atualizado: há 2 semanas
entre 2014 e 2025, o Acre notificou nove casos suspeitos da doença/Foto: Reprodução

O Acre não registra casos confirmados de difteria desde 2015, mas a Secretaria de Estado de Saúde do Acre acendeu um alerta para o risco de reintrodução da doença no estado diante da queda na cobertura vacinal em todo o país.

As informações constam no novo boletim epidemiológico divulgado pela pasta nesta semana, que destaca que, apesar da baixa ocorrência da doença nos últimos anos, a difteria continua circulando no Brasil e pode voltar a atingir estados sem registros recentes.

Segundo o levantamento, entre 2014 e 2025, o Acre notificou nove casos suspeitos da doença. Destes, dois foram confirmados, ambos em Rio Branco, nos anos de 2014 e 2015. Os dois pacientes morreram.

O boletim aponta ainda que um dos casos ocorreu em uma pessoa não vacinada, enquanto no outro a situação vacinal era desconhecida.

Desde então, o estado não voltou a confirmar novos casos da doença. Ainda assim, a Sesacre afirma que o risco permanece devido às falhas na imunização e à circulação da bactéria em outras regiões do país.

Em 2025, o Brasil confirmou quatro casos de difteria, sendo três no Rio Grande do Sul e um no Paraná. Já em 2026, até o momento, foram registrados três casos, dois no Maranhão e um no Piauí.

Dados foram divulgados pela Sesacre/Foto: Reprodução

A doença é considerada grave e potencialmente letal. Causada pela bactéria Corynebacterium diphtheriae, a difteria afeta principalmente as vias respiratórias e pode provocar complicações cardíacas e neurológicas.

De acordo com a Sesacre, a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção. O esquema vacinal inclui doses ainda na infância, além de reforços ao longo da vida.

O boletim também orienta os serviços de saúde a manterem vigilância ativa para identificação rápida de casos suspeitos, com notificação imediata, coleta de exames e adoção de medidas de bloqueio para evitar transmissão.

A secretaria destacou que a manutenção de altas coberturas vacinais é considerada essencial para impedir a volta da doença ao Acre.

O que é a difteria?

A difteria é uma doença infecciosa grave causada pela bactéria Corynebacterium diphtheriae. Ela atinge principalmente o nariz e a garganta, mas também pode afetar a pele. O maior risco está na toxina produzida pela bactéria, que pode causar danos ao coração, aos nervos e até levar à morte.

Os sintomas mais comuns são:

  • dor de garganta intensa;
  • febre;
  • dificuldade para engolir;
  • rouquidão;
  • inchaço no pescoço;
  • mal-estar;
  • formação de placas acinzentadas na garganta e nas amígdalas, um dos sinais mais característicos da doença.

A transmissão acontece por gotículas expelidas ao falar, tossir ou espirrar, além do contato com secreções da pessoa infectada.

O tratamento precisa ser rápido e geralmente inclui:

  • aplicação do soro antidiftérico, que neutraliza a toxina;
  • uso de antibióticos, como penicilina ou eritromicina;
  • isolamento do paciente para evitar transmissão;
  • acompanhamento hospitalar em casos graves.

Mesmo após o tratamento, a pessoa deve atualizar a vacinação, porque ter difteria não garante imunidade permanente.

A principal forma de prevenção é a vacina, aplicada ainda na infância e reforçada ao longo da vida. No Brasil, ela faz parte do calendário do SUS e está incluída nas vacinas pentavalente e tríplice bacteriana (dT).

A doença já foi muito comum no passado, mas caiu drasticamente graças à vacinação. O problema é que a queda na cobertura vacinal aumenta o risco de reintrodução da doença.

O que disse a Sesacre?

o boletim da Sesacre não afirma que a difteria está voltando ao Acre, nem que há caso confirmado recente no estado.

O Acre não registra caso confirmado de difteria desde 2015. Nos últimos anos, houve apenas notificações de casos suspeitos, o que faz parte da rotina normal da vigilância epidemiológica. Esses casos são investigados justamente porque alguns sintomas podem se parecer com outras infecções, como amigdalite ou infecção de garganta, mas não houve confirmação da doença.

O objetivo do boletim foi apresentar um panorama epidemiológico e reforçar a importância da vacinação, especialmente porque a difteria ainda registra casos em outros estados do país e a melhor forma de manter o Acre protegido é ampliar a cobertura vacinal.

Também é importante destacar que o Acre vem apresentando melhora nos índices de vacinação. Embora o estado ainda esteja abaixo da meta de 95% recomendada pelo Ministério da Saúde, a cobertura saiu da faixa de 70% e se aproximou de 85% em 2025, com crescimento nos últimos dois anos.

A orientação da Sesacre é que pais, mães e responsáveis mantenham atualizado o cartão vacinal das crianças, não apenas contra a difteria, mas contra todas as doenças previstas no calendário infantil. A vacinação é a principal forma de prevenção e é o que ajuda a manter doenças imunopreveníveis afastadas do estado.

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