Em uma nova e contundente declaração sobre as circunstâncias do desabamento da ponte Padre Paolino Baldassari, o empresário Raul Santos, sócio da Construtora Cidade, rebateu os questionamentos sobre a falta de estudos de solo antes do início da obra.
Santos também esclareceu, em entrevista concedida nesta terça-feira (9), durante vistoria no local, a relação entre o desabamento e a erosão que atinge as moradias próximas ao Rio Iaco, invertendo a lógica da acusação popular.
Ao ser questionado se a queda da estrutura teria provocado o processo erosivo que ameaça casas na região, o empreiteiro foi categórico ao afirmar que o fenômeno geológico aconteceu primeiro.

Empresário diz que erosão causou o colapso, e não o contrário/ Foto: Gleison Junior/ Orna Audiovisual
“A causa do desabamento da ponte é o movimento de terra. O movimento de terra precede. Ele é o causador. Não foi a ponte que causou o movimento de terra, certo? Isso é uma coisa muito clara”, explicou Raul Santos, pontuando que o fato ainda será detalhado no laudo de geólogos e engenheiros.
Estudos seguiram normas técnicas
O empresário também foi confrontado sobre a necessidade de mapear a qualidade e a estabilidade do solo antes de erguer uma obra avaliada em quase R$ 40 milhões. Santos assegurou que todos os procedimentos legais e vistorias prévias exigidos pela engenharia civil foram rigorosamente cumpridos pela empreiteira.
“Nós fizemos todos os estudos referentes à sondagem, estudos geotécnicos previstos em norma, tá? Porque todas as obras de engenharia são reguladas pelas normas técnicas. Então, tudo o que tá previsto nas normas nós fizemos”, garantiu o construtor.
Apesar de defender o cumprimento do protocolo, o sócio da Construtora Cidade jogou luz sobre uma lacuna na legislação estrutural, justificando que a instabilidade severa do solo acriano foge dos parâmetros tradicionais de engenharia.
“Acontece que esses movimentos de terras, caídas, que existem aqui no Acre, não têm previsão em norma”, concluiu Santos.
