El Niño severo ameaça Amazônia com calor extremo e sensação de até 49°C

Monitoramento envolve Censipam, Inmet e órgão dos EUA

Por Fhagner Soares, ContilNet 28/06/2026 às 18:47
Fenômeno no Pacífico impede chegada de frentes de chuva e derruba umidade na floresta/ Foto: Reprodução

O monitoramento do clima na Região Norte indica que os meses de estiagem neste ano devem registrar índices de gravidade inéditos. Sob o reflexo de uma configuração atipicamente intensa do fenômeno El Niño, os principais centros de meteorologia que cobrem a Amazônia estimam marcas de calor bem acima das médias históricas, forte redução nos volumes de chuva e um índice de sensação térmica que pode bater os 49°C na capital amazonense.

O diagnóstico de vulnerabilidade climática foi estabelecido a partir do cruzamento de dados técnicos elaborados de forma conjunta pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), agência governamental dos Estados Unidos.

De acordo com as notas técnicas emitidas pelos sismólogos e meteorologistas, o superaquecimento do Oceano Pacífico deforma a circulação dos ventos e impede a formação de nuvens pluviométricas sobre a floresta. Sem a barreira de umidade, a radiação solar atinge o solo de forma direta, derrubando os índices de umidade do ar e prolongando o ciclo de seca.

A severidade do panorama climático projeta impactos que extrapolam o desconforto nos centros urbanos. A combinação de baixa umidade e solo desidratado cria o cenário ideal para o início e a rápida propagação de incêndios na vegetação, gerando forte preocupação nas equipes de fiscalização ambiental e de segurança pública.

Outro ponto crítico mapeado pelos especialistas diz respeito à hidrografia local. A ausência crônica de precipitações deve acelerar a retração dos leitos dos rios da bacia amazônica. Esse processo de vazante severa afeta diretamente o transporte de cargas e passageiros, ameaçando o abastecimento de produtos básicos e isolando comunidades que dependem exclusivamente das hidrovias.

Diante do estresse térmico prolongado, autoridades de saúde pública reforçam a urgência de medidas individuais de prevenção para evitar complicações como insolação e desidratação severa. A orientação principal é focar na ingestão constante de água e interromper atividades físicas pesadas nos períodos em que o sol está mais forte. Os cuidados devem ser redobrados com crianças, idosos e portadores de doenças crônicas.

O quadro traçado pelos cientistas reforça que o período exigirá dos governos locais o estabelecimento de comitês de crise e ações preventivas imediatas para dar assistência socioeconômica aos municípios atingidos pela estiagem e conter os danos à biodiversidade.

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