Um levantamento sobre mobilidade social colocou o Acre entre os estados brasileiros onde é mais difícil romper o ciclo da pobreza. De acordo com o Atlas da Mobilidade Social, jovens acreanos que nasceram em famílias de baixa renda têm uma das maiores probabilidades do país de permanecer na mesma condição financeira quando chegam à vida adulta.
O estudo mostra que esse cenário é compartilhado principalmente com os estados do Pará e do Amazonas, refletindo as desigualdades sociais que ainda marcam as regiões Norte e Nordeste.
A situação é ainda mais preocupante em Assis Brasil, no interior do Acre. O município aparece entre os piores resultados do país: 84,4% dos jovens que cresceram em famílias pertencentes aos 25% mais pobres continuam na mesma faixa de renda na fase adulta.
Além da dificuldade para melhorar de vida, as chances de alcançar uma renda mais alta também são reduzidas. Segundo o levantamento, apenas 8,32% desses jovens conseguem chegar ao grupo dos 25% mais ricos do Brasil, enquanto somente 1,28% alcançam a faixa dos 10% com maior renda.
Renda
Os pesquisadores explicam que a renda da família continua sendo um dos principais fatores que influenciam o futuro econômico dos filhos. Embora muitos jovens consigam aumentar seus rendimentos ao longo da vida, esse crescimento geralmente não é suficiente para mudar de classe social.
No cenário nacional, 48% das pessoas que nasceram entre os 25% mais pobres do país permanecem nessa mesma faixa de renda quando adultas. Entre aqueles que conseguem melhorar a situação financeira, a maioria continua entre os 50% da população com menor renda.
A pesquisa também revela uma realidade oposta para quem nasce em famílias com maior poder aquisitivo. Mais da metade dos filhos dos 25% mais ricos continua nesse mesmo grupo ao chegar à vida adulta, indicando que as vantagens econômicas também costumam ser transmitidas entre gerações.
O Atlas da Mobilidade Social foi desenvolvido pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) em parceria com o Prospera Lab. O levantamento acompanha cerca de 7 milhões de brasileiros nascidos entre 1983 e 1990 e compara a renda das famílias durante a infância com os rendimentos obtidos pelos filhos entre os 25 e 29 anos, utilizando dados administrativos e pesquisas do IBGE.
