Ex-camelô que virou fisioterapeuta diz ter encontrado missão

Rener Barone contou ao ContilNet um pouco da trajetória

Por Anne Nascimento, ContilNet 05/07/2026 às 17:04
Rener já foi camelô e se interessou pelo curso por conta do nome. — Foto: ContilNet

Natural de Tarauacá e criado em Rio Branco, o fisioterapeuta Rener Barone, de 32 anos, relata uma trajetória marcada por dificuldades financeiras, trabalho informal e mudanças de rumo até encontrar na fisioterapia um propósito de vida.

“Eu sou natural de Tarauacá, vim muito cedo para Rio Branco, tentar a vida como todo rapaz do interior”, conta. Segundo ele, a infância foi marcada por uma rotina simples e por desafios enfrentados por sua família.

Ainda jovem, Rener começou a trabalhar para ajudar em casa. “Eu desde cedo empreendo, o empreendedorismo está na minha veia de fato, no meu sangue”, diz. Ele lembra que chegou a atuar como camelô nas ruas da capital acreana, vendendo alimentos e outros produtos. “Chegando aqui, eu fui trabalhar como camelô, vendi tapioca, salgado, nas ruas de Rio Branco, principalmente no Terminal Urbano”, relata.

Ao longo dos anos, o fisioterapeuta também passou por outras funções. “Trabalhei como assistente de refrigeração, marcenaria, servente de pedreiro. Então, assim, tem uma longa história até chegar aqui hoje”, afirma.

Ex-camelô que virou fisioterapeuta diz ter encontrado missão

“Eu nem sabia o que significava fisioterapia”, diz Rener Barone. — Foto: ContilNet

Apesar da trajetória de trabalho, Rener afirma que não tinha a fisioterapia como primeira escolha profissional. “Meu sonho era ser professor de história, por ser um grande amante da filosofia e da sociologia”, conta. A mudança de caminho, segundo ele, aconteceu por influência da família após o ensino médio.

“Eu nem sabia o que significava fisioterapia”, diz. Ele lembra que escolheu o curso de forma quase aleatória. “Eu vi o nome, achei bonito e falei: vou fazer fisioterapia”, relata.

Os primeiros anos na graduação foram difíceis. “Os dois primeiros anos foram um sofrimento, porque eu não me via naquele lugar”, afirma. O ponto de virada, segundo ele, veio após um momento em família. “Eu olhei meu pai trabalhando até tarde e pensei: estou enganando a quem?”, relembra.

A partir daí, Rener afirma que passou a encarar a profissão de outra forma. “Ou por amor, ou por dedicação, eu decidi me dedicar à fisioterapia”, diz. Ele conta que a decisão mudou sua relação com o curso e com a própria vida. “Hoje eu vivo isso intensamente nos meus dias”, completa.

Já formado, o fisioterapeuta afirma que enxerga o trabalho atual como missão. “Nós lidamos com vidas. Nosso propósito é cuidar de pessoas”, diz. Segundo ele, o atendimento vai além da técnica. “Alguns pacientes falam que aqui não vêm tratar só o físico, mas também a alma”, afirma.

Para Rener, o diferencial do trabalho está na forma de enxergar o paciente. “A gente precisa olhar para a raiz do problema, para a causa”, explica. “O nosso propósito é cuidar de vidas e cuidar de pessoas”, conclui.

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