Celebra-se neste sábado, 5 de setembro, o Dia da Amazônia. No Acre, a data de conscientização ambiental é marcada por indicadores que apontam o avanço do desmatamento e o recrudescimento dos focos de queimada durante o período mais seco do ano.
Levantamento da plataforma TerraBrasilis, mantida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), posiciona o Acre na quinta colocação entre os nove estados da Amazônia Legal em extensão acumulada de desmatamento. O território estadual registra 7.506,82 km² de vegetação nativa retirada, número que corresponde a 5,56% de toda a área convertida mapeada pelo sistema.
O Pará lidera o indicador nacional de área devastada, com 56.527,01 km² (41,86%). Na sequência aparecem Mato Grosso, com 26.311,27 km² (19,48%), Amazonas, com 18.706,64 km² (13,85%), e Rondônia, com 16.881,96 km² (12,50%).
Paralelamente à perda de floresta, os focos de calor registraram alta expressiva no estado. Os dados oficiais mostram que o Acre contabilizou 487 pontos de queimada ao longo do mês de agosto, frente a 56 ocorrências apuradas em julho. A variação representa um crescimento de 769,6% — volume oito vezes superior na comparação direta entre os dois meses consecutivos.
A aceleração verificada no mês passado quebrou uma sequência de sete meses contínuos em que as contagens mensais se mantiveram abaixo de 100 registros. No acumulado do ano, entre 1º de janeiro e 1º de setembro, o Acre soma 594 pontos de fogo. Apesar do salto recente, o patamar apurado em agosto deste ano foi o menor registrado para o mês nos últimos 12 anos.
A pressão sobre a vegetação nativa também sobressai na avaliação individual dos municípios. Relatório do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) referente a julho de 2026 colocou três cidades acreanas na lista dos dez municípios com maior taxa de desmatamento na Amazônia Legal.
Feijó figurou na segunda posição do ranking geral de devastação, enquanto Tarauacá ocupou o terceiro lugar. Sena Madureira apareceu na oitava colocação. No topo da lista figurou apenas a cidade de Altamira, no Pará, à frente dos dois municípios acreanos.
Durante o mês de julho, a destruição registrada no Acre correspondeu a 22% de todo o desmatamento identificado nos nove estados da região, somando 97 km² de mata nativa derrubada em apenas 31 dias.
Os dados servem de alerta no momento em que o estado atravessa o pico do período de estiagem na região Norte, enfrentando simultaneamente a escassez de chuvas, a perda da cobertura vegetal e a multiplicação das queimadas no interior.
