Frigoríficos do Acre elevam abate de bovinos em 12,4% no primeiro semestre

Processamento interno alcançou 338,1 mil cabeças entre janeiro e junho de 2026

Por Fhagner Soares, ContilNet 20/07/2026 às 05:27
Inspeção Federal lidera processamento interno e garante acesso a mercados internacionais/ Foto: Reprodução

A indústria frigorífica do Acre registrou expansão nas atividades de processamento de carne no primeiro semestre de 2026. Levantamento estatístico realizado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (FAEAC) aponta que o estado efetuou o abate de 338.109 bovinos entre janeiro e junho deste ano. O volume representa um incremento de 12,4% na comparação com o mesmo período de 2025, quando haviam sido contabilizados 300.953 animais.

Os indicadores demonstram o fortalecimento do parque industrial acreano, cujo ritmo de absorção do rebanho local manteve-se aquecido mesmo diante do fluxo contínuo de comercialização de gado em pé para outras unidades da federação. A atividade interna agrega valor econômico à cadeia produtiva antes da distribuição comercial, impulsionando a arrecadação tributária e a geração de postos de trabalho no setor agroindustrial.

A evolução mensal dos abates revela constância na linha de produção ao longo do período. O ano começou com 55.540 cabeças processadas em janeiro e 56.170 em fevereiro. Após um recuo temporário em março, que computou 50.366 animais, o setor atingiu o ápice produtivo em abril, com o registro de 62.208 bovinos. O primeiro semestre foi encerrado com 55.528 abates em maio e 54.783 no mês de junho.

A qualidade sanitária e o perfil exportador da produção local são validados pelo nível de fiscalização dos estabelecimentos. Em junho, 73,8% dos procedimentos de abate — equivalentes a 40.428 animais — ocorreram em plantas industriais chanceladas pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF). O Serviço de Inspeção Estadual (SIE) respondeu por 11.623 cabeças (21,2%), enquanto o Serviço de Inspeção Municipal (SIM) absorveu 2.697 bovinos (4,9%). A hegemonia do selo federal assegura a aptidão da carne acreana para atender tanto o mercado interestadual quanto o comércio externo.

O avanço do processamento interno está diretamente correlacionado com a performance do Acre no mercado internacional. Durante os primeiros seis meses do ano, o estado realizou a exportação de 3.155,66 toneladas de carne bovina, gerando uma receita de US$ 16,1 milhões. O desempenho supera amplamente os resultados do primeiro semestre de 2025, ocasião em que os embarques somaram 2.340,08 toneladas e faturamento de US$ 10,3 milhões. Em termos percentuais, houve evolução de aproximadamente 35% no volume físico exportado e de 56% na receita cambial.

Paralelamente, o comércio de bovinos vivos destinados a outros estados manteve patamar elevado no acumulado do semestre, totalizando 191.712 cabeças — alta de 10,2% frente às 173.992 registradas em igual intervalo do ano anterior. Contudo, o segmento interestadual demonstrou desaceleração no fechamento do período, com o envio de 27.771 animais em junho, retração de 22,5% em relação ao volume móvel de maio.

Ao somar o volume de abates internos e o fluxo de exportação de gado em pé, a movimentação global da pecuária de corte no Acre atingiu 529.821 animais no primeiro semestre. Desse montante, a indústria frigorífica local foi responsável por absorver a maior fatia da produção, retendo 63,8% do rebanho comercializado, contra 36,2% direcionados ao mercado interestadual vivo.

Apesar do cenário de expansão volumétrica, o mercado começou a emitir sinais de acomodação de preços devido à alta oferta de animais prontos para o abate. Entre os dias 18 de junho e 2 de julho, o preço da arroba bovina registrou uma retração de R$ 10, desvalorização que impactou linearmente as cotações de bois castrados, bois inteiros e vacas nas planilhas locais. Os dados da FAEAC reforçam que, embora a oscilação de preços exija cautela dos produtores, a pecuária acreana consolida a transição para um modelo de maior verticalização industrial e retenção da riqueza no próprio território.

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