Fuso horário e história de anexação marcam turismo na capital do Acre

Fundada em 1882 à sombra de uma gameleira centenária, a quarta capital mais antiga do Norte

Por Fhagner Soares, ContilNet 11/07/2026 às 18:26
Rio Branco vista de cima/ Foto: Reprodução

Quarta capital mais antiga da região Norte e o núcleo urbano mais ocidental do país, Rio Branco guarda em sua estrutura as marcas da transição de um antigo seringal do século 19 para uma capital com cerca de 390 mil habitantes. A cidade, que tem sua rotina ditada por um fuso horário de duas horas a menos em relação a Brasília, concentra quase metade da população do Acre e se desenvolveu a partir do Seringal Volta da Empreza, fundado em 1882 pelo nordestino Neutel Maia.

O marco inicial da fundação, uma árvore de gameleira situada à margem direita do Rio Acre, foi tombado como monumento histórico em 1981 e continua integrado ao Calçadão da Gameleira, área que preserva o conjunto de casarios coloniais da capital. O nome do município homenageia o Barão do Rio Branco, diplomata que negociou a anexação do território ao Brasil após a Revolução Acreana. A localidade tornou-se capital do território em 1920 e do estado em 1962.

A infraestrutura turística da capital acreana permite a visitação de seus principais monumentos em um raio caminhável na região central. Os pontos de interesse integram a evolução arquitetônica e a memória política do estado.

  • Palácio Rio Branco: Inaugurado em 1930 como a primeira construção em alvenaria da cidade, serve como sede do governo e abriga um museu sobre a formação social acreana, a história das 16 etnias indígenas locais e a trajetória do seringueiro Chico Mendes;

  • Novo Mercado Velho: Espaço público revitalizado que reúne a comercialização de artesanato regional, ervas medicinais e restaurantes de culinária popular;

  • Passarela Joaquim Macedo: Estrutura estaiada inaugurada em 2010 com 285 metros de extensão, exclusiva para pedestres e ciclistas, que interliga os dois distritos urbanos sobre o Rio Acre;

  • Museu dos Povos Acreanos: Espaço cultural aberto em 2023 dedicado à preservação da identidade cultural, arqueologia e diversidade étnica da Amazônia sul-ocidental.

Na área ambiental, a cidade conta com o Parque da Maternidade, um corredor verde de seis quilômetros de extensão, e o Parque Ambiental Chico Mendes, que dispõe de trilhas ecológicas em uma área de 57 hectares.

A formação da gastronomia de Rio Branco reflete os fluxos migratórios que povoaram a região no período do ciclo da borracha. O cardápio local mescla o uso de ingredientes nativos da floresta com tradições trazidas por imigrantes nordestinos e de origem árabe.

Entre os pratos tradicionais destacam-se a “baixaria” — combinação de cozido de carne moída, ovos fritos e farinha de milho consumida no café da manhã —, o tacacá e o quibe de arroz, iguaria adaptada da culinária sírio-libanesa que se tornou frequente em lanchonetes locais.

O acesso à capital ocorre por meio do Aeroporto Internacional Presidente Médici ou por via terrestre através da rodovia BR-364. O período recomendado para atividades ao ar livre coincide com a estação seca, que compreende os meses de maio a setembro.

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