O Instituto IPS Brasil, em parceria com entidades como o Imazon, Fundação Avina, Amazônia 2030, Centro de Empreendedorismo da Amazônia e a organização internacional Social Progress Imperative, divulgou nesta sexta-feira (19) os resultados analíticos do Índice de Progresso Social (IPS Brasil 2026). O estudo mapeou a qualidade de vida, o bem-estar social e a sustentabilidade ecológica de todos os 5.570 municípios do território nacional, distribuindo notas em uma escala de 0 a 100 com base em 57 indicadores de bancos de dados públicos.
No panorama da Região Norte, os resultados evidenciam os contrastes socioeconômicos e ambientais do Acre. Enquanto a capital, Rio Branco, conseguiu se posicionar entre os dez melhores desempenhos da Amazônia Legal, o município isolado de Santa Rosa do Purus figurou no extremo oposto, ocupando uma vaga no incômodo ranking das dez piores cidades do país em progresso social.
A capital acreana alcançou a pontuação de 63,44 no painel de amostragem, fixando-se na 6ª colocação entre os dez municípios com melhor qualidade de vida da Região Norte. Embora o índice coloque Rio Branco em posição de destaque na folha regional, a cidade ainda apresenta distância em relação a Palmas (TO), que lidera o bloco amazônico com 68,91 pontos e figura na 96ª posição do ranking geral brasileiro, impulsionada por investimentos em infraestrutura de moradia e acesso ao ensino superior.
A pontuação de Rio Branco insere o município na faixa de classificação representada nos mapas oficiais pelo tom azul claro (compreendido no intervalo técnico de 62,92 a 65,48 pontos), indicando patamar intermediário de evolução nas dimensões de necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades sociais.
Se por um lado a capital consegue sustentar indicadores medianos, a realidade do interior do estado expõe as carências estruturais das populações ribeirinhas e transfronteiriças. O município de Santa Rosa do Purus, localizado na região do Alto Purus e com acesso majoritariamente por vias aéreas ou fluviais, registrou a nota de 46,70.

Santa Rosa do Purus registra nota de 46,70 e entra na faixa vermelha do estudo/ Foto: Reprodução
O desempenho amarrou a localidade acreana na 8ª colocação entre as dez piores médias de progresso social da Região Norte e do Brasil. Santa Rosa do Purus compartilha o topo da vulnerabilidade com cidades como Uiramutã (RR) — que obteve a pior nota do país, 42,44 — e polos paraenses marcados por conflitos agrários, como Jacareacanga e Portel. No mapeamento cromático do IPS, o Purus está inserido na faixa vermelha escura (37,58 a 48,24 pontos), que identifica os menores índices de desenvolvimento humano e ambiental do território nacional.
O relatório técnico do IPS Brasil 2026 dedica um capítulo analítico ao comportamento integrado da Região Norte, destacando que os estados que compõem a Amazônia Legal registraram rendimento inferior à média nacional em quase todos os componentes avaliados. O fator preponderante para a depreciação das notas foi o componente de “Qualidade do Meio Ambiente”.
Os pesquisadores apontam que os elevados índices de desmatamento acumulado nos últimos anos e as taxas de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) decorrentes das queimadas e da conversão de pastagens anularam os avanços obtidos em outras áreas de políticas públicas, como saúde e educação primária. O Tocantins consolidou-se como o estado com o melhor equilíbrio ecológico e social da região, ocupando a 17ª posição nacional com nota 60,50.
