O que começou com dores na barriga acabou mudando completamente a vida de uma família acreana.
Aos 44 anos, a acreana Graziele Monteiro descobriu um câncer agressivo no fígado após exames apontarem um tumor de 10 centímetros. Meses depois, a doença avançou rapidamente e a cirurgia inicialmente prevista em Rio Branco já não podia mais ser realizada. O tumor havia chegado a 14 centímetros.
Desde outubro do ano passado, Graziele está em São Paulo ao lado da mãe, tentando uma chance de sobreviver. Agora, após meses de angústia, ela finalmente vai passar por um transplante de fígado neste final de semana. O doador será o próprio irmão, Tiago Monteiro, de 37 anos.
Mas para conseguir doar, Tiago precisou transformar a própria vida.
“Eu só bebia, bebia, farra, saía. A bebida sempre me atrapalhou em tudo”, contou ao ContilNet.
Ao ContilNet, ele relatou que continuou vivendo dessa forma mesmo após o diagnóstico da irmã, em maio do ano passado. Mas a gravidade da situação mudou tudo.
“Quando eu vi que a situação era grave mesmo, fui caindo na real”, disse.
Em outubro, quando a mãe e a irmã viajaram para São Paulo em busca de tratamento, Tiago decidiu tentar mudar. Entrou para a igreja, começou a frequentar cultos e passou meses longe da bebida. Depois de uma recaída durante o carnaval, veio a notícia que aumentou ainda mais o desespero da família: ele era o único compatível para doar parte do fígado.
Só havia um problema. Ele não tinha condições clínicas para a cirurgia.
“Eu estava com 85 quilos, gordura no fígado, colesterol altíssimo, triglicerídeo alto. O doutor perguntou se não tinha outro doador”, relembra.
Segundo Tiago, ouvir aquilo foi devastador.
“A Grazi se apavorou, minha mãe também. Não tinha mais ninguém.”
Foi então que ele decidiu mudar radicalmente a rotina. Cortou totalmente a bebida, iniciou dieta rigorosa, entrou na academia e passou a seguir tratamento médico.
Em menos de dois meses, perdeu 16 quilos.
“Hoje estou com 69 quilos. Meu fígado não tem mais gordura. Deus abençoou”, contou emocionado.
A notícia de que os exames finalmente estavam aptos para o transplante chegou nesta semana e pegou a família de surpresa.
“Estamos em choque até agora. De alegria, medo, ansiedade.”
A cirurgia deve ocorrer na próxima segunda-feira, após a internação prevista para domingo. O procedimento de Graziele deve durar cerca de 12 horas. O de Tiago, aproximadamente oito.
“Ela foi dormir seis horas da manhã pensando nisso. A gente fica feliz e desesperado ao mesmo tempo”, disse.
Durante os últimos sete meses em São Paulo, a família enfrentou uma rotina de despesas elevadas com estadia, alimentação, exames e deslocamentos. Amigos organizaram rifas, campanhas e uma vaquinha solidária para ajudar nos custos do tratamento e da recuperação dos irmãos.
Tiago afirma que, em meio ao momento mais difícil da vida da família, também descobriu quem realmente permaneceu ao lado deles.
“Aqueles amigos de festa que eu achava que eram amigos não apareceram. Mas pessoas que eu nunca imaginei vieram me ajudar.”
Entre pausas e lágrimas, ele resume a relação com a irmã em poucas palavras:
“Ela sempre foi tudo na minha vida.”





