Em grave desabafo, acreana expõe barreiras enfrentadas por mães atípicas

Comunicadora relembra caso da filha e questiona por que médicos negam o direito das famílias

Por Fhagner Soares, ContilNet 11/06/2026 às 18:44
Jornalista aponta negligência no Acre e cobra dignidade para crianças com deficiência/ Foto: Instagram

A jornalista acreana Dryelem Alves utilizou suas redes sociais para fazer um grave desabafo sobre os obstáculos que mães de crianças com deficiência enfrentam na saúde pública do Acre. Em um vídeo gravado diretamente de Brasília, onde acompanha a filha em tratamento, a comunicadora classificou como desumana a postura de médicos que estão negando encaminhamentos necessários para que crianças consigam passagens e ajuda de custo por meio do programa de Tratamento Fora de Domicílio (TFD).

Segundo a jornalista, diversas mães atípicas conseguiram vagas por iniciativa própria na Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação referência na América Latina em neuroreabilitaçã, por meio de inscrições diretas e envio de laudos no site da instituição. No entanto, ao buscarem os consultórios no Acre para obter o documento oficial de encaminhamento, elas recebem respostas negativas dos profissionais, que afirmam que os procedimentos podem ser realizados no próprio estado.

Dryelem Alves contestou a justificativa médica e pontuou que o sistema de saúde do Acre não oferece a estrutura e a agilidade necessárias para esses pacientes. Para ilustrar o cenário, ela compartilhou sua própria história com a filha, Lauren, que hoje tem cinco anos e vive com paralisia cerebral. A jornalista afirma que o diagnóstico foi decorrente de negligência e irresponsabilidade médica na maternidade pública de Rio Branco, onde seus relatos como gestante de alto risco teriam sido ignorados, resultando em um quadro de sofrimento fetal por falta de oxigenação no cérebro.

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Jornalista acreana critica negativa de médicos para tratamento de crianças fora do estado/ Foto: Instagram

O desabafo expôs ainda a morosidade e a ineficiência que afetam o cotidiano de quem depende da rede pública. A jornalista relatou que aguarda há quatro anos por um exame de eletroencefalograma prescrito quando a filha tinha apenas um ano de idade, procedimento que nunca foi agendado no Acre. A situação se repete na busca por direitos básicos: um pedido de suporte para fraldas, cadeira de rodas e cuidador escolar encaminhado ao Ministério Público em 2023 só recebeu um retorno da instituição pouco mais de três anos depois, em 2026, questionando se a vaga do cuidador já havia sido preenchida.

A crítica principal da profissional de imprensa foi direcionada à postura corporativista de médicos locais, citando nominalmente o comportamento de um ortopedista conceituado que atua no Acre. Segundo Dryelem, o especialista chegou a registrar de forma desdenhosa em um laudo de apenas três linhas que a mãe apenas “dizia precisar” de mais um acompanhante para carregar a menina, a cadeira de rodas e as malas durante as viagens de saúde.

O mesmo profissional teria afirmado à mãe que não havia mais alternativas médicas para a evolução de Lauren além das sessões de fisioterapia. Contudo, em Brasília, a criança passou por exames anuais detalhados —como radiografias de pelve que nunca haviam sido solicitadas no Acre— e tem uma cirurgia ortopédica agendada na capital federal para melhorar sua condição.

A jornalista encerrou o posicionamento cobrando empatia das autoridades de saúde, lembrando que o objetivo das famílias não é a busca por uma cura para a paralisia cerebral, mas sim assegurar dignidade e qualidade de vida aos filhos. Ela argumentou que os mesmos profissionais que negam os encaminhamentos às famílias carentes jamais submeteriam seus próprios filhos ao sistema de saúde acreano e lamentou que os médicos condenem essas crianças a uma sentença absoluta, retirando delas a oportunidade de obter uma segunda opinião médica especializada em centros avançados do país.

Veja o vídeo: 

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