A violência contra a população LGBTQIAPN+ permanece fazendo parte da realidade de milhares de brasileiros, sobretudo entre os mais jovens. Segundo dados do Atlas da Violência 2026, jovens entre 15 e 29 anos concentram a maior parcela das vítimas de agressões registradas no país, o que evidencia a vulnerabilidade enfrentada por essa parcela da população.
De acordo com o levantamento, somente em 2024, foram registrados 10.250 casos de violência contra homossexuais e bissexuais no Brasil, um aumento de 5,5% em relação ao ano anterior. Entre pessoas transexuais e travestis, foram contabilizados 5.575 casos, alta de 2,6%
Produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Atlas analisou notificações registradas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, revelando um cenário preocupante.
Segundo o Atlas, a concentração de vítimas nas faixas etárias mais jovens acompanha uma tendência observada em outros tipos de violência no país. Porém, entre pessoas LGBTQIAPN+, a situação ganha condições específicas devido aos episódios de discriminação, rejeição familiar, exclusão social e preconceito ainda presentes em diferentes espaços da sociedade.
Entre mulheres trans e travestis, os índices de vitimização permanecem elevados até os 34 anos de idade, indicando que a violência acompanha grande parte da juventude e do início da vida adulta.
Já homens trans, os dados tornam-se a incidência de violência atinge seu pico entre os 15 e 24 anos, evidenciando a vulnerabilidade dessa faixa etária
Denúncias reforçam vulnerabilidade entre jovens
Os dados do Atlas da Violência dialogam com os registros de denúncias recebidas pelo Disque 100. Segundo painel atualizado do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, a faixa etária de 25 a 29 anos lidera o número de denúncias de violência contra a população LGBTQIA+, com 3.503 registros. Em seguida aparecem as faixas de 30 a 34 anos, com 3.291 denúncias, e de 20 a 24 anos, com 2.977 casos.
Os números mostram que a violência afeta principalmente pessoas em idade produtiva e reforçam a tendência apontada pelo Atlas da Violência 2026, que identifica jovens entre 15 e 29 anos como o grupo mais vitimizado entre homossexuais, bissexuais, transexuais e travestis.
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O painel também revela um crescimento das denúncias ao longo dos últimos anos. Em 2020, foram registradas 1.797 denúncias relacionadas à violência contra a população LGBTQIA+. O número caiu para 1.370 em 2021, mas voltou a crescer nos anos seguintes, chegando a 3.948 em 2022, 6.070 em 2023 e atingindo o pico de 8.162 denúncias em 2024. Em 2025, foram contabilizados 5.343 registros.
Diante desse cenário, os dados do Atlas da Violência e do Disque 100 colaboram e ao mesmo tempo expõe, que apesar dos avanços na garantia de direitos, jovens LGBTQIAPN+ permanecem no topo dos índices de violência no Brasil


